Forte segurança protege ex-rei do Afeganistão

Durante 28 anos o ex-rei do Afeganistão, Mohammed Zahir Shah, levou uma vida discreta. Quase ninguém sabia quem era aquele senhor alto, magro, elegante e austero. Foi depois dos atentados do dia 11 de setembro que seu nome veio à ribalta e os italianos descobriram que o monarca deposto em 1973 morava num elegante bairro romano. A Olgiata fica a cerca de 10 quilômetros do centro da capital italiana. Rodeado de bosques e jardins, é uma espécie de grande condomínio fechado onde moram famílias da classe média alta. Uma casa aqui custa em torno do equivalente a R$ 800 mil. Quem escolhe a Olgiata quer sossego, que nesse momento os vizinhos de Zahir Shah perderam. "Estou nervoso, porque a janela do meu quarto fica a menos de 100 metros de um dos principais objetivos dos terroristas", comentou um morador. A rua que leva à casa do ex-rei foi barrada com blocos de cimento. Diversos carros da polícia vigiam 24 horas por dia, e agentes estão espalhados pelos bosques. Durante a noite, a iluminação é reforçada e todos os que chegam perto devem mostrar um documento. Zahir Shah está na lista dos "possíveis objetivos de atentados" que as autoridades italianas devem proteger. Além da casa, há fortes medidas de segurança também em torno do escritório que Shah montou há tres meses, onde se reúne o comitê de trabalho pela paz, criado em 1999. Até o tranqüilo e pouco conhecido Hotel Fleming está cercado pela polícia. Para falar com os homens de Shah, é preciso deixar um documento e mostrar a bolsa aos policiais. Do lado de fora, as pessoas não podem caminhar na calçada, devendo passar pelo meio da rua. Aqui ficam hospedados alguns dos conselheiros do ex-rei e os numerosos visitantes que têm vindo do exterior - inclusive do Afeganistão, para as tentativas de constituir o Supremo Conselho de Unidade Nacional. O Conselho seria formado por representantes de vários movimentos que lutam contra o poder dos talebans - entre eles a Aliança do Norte e o grupo do ex-presidente Burhanuddin Rabbani. A próxima reunião deveria ocorrer nesse fim de semana, para indicar os 120 nomes que vão compor a assembléia, cujo objetivo é a formação de um governo de transição a ser instalado no Afeganistão após o ataque militar. Aos 87 anos, herdeiro de uma dinastia de guerreiros, o velho monarca tem poucas chances de voltar a governar seu país, onde a Aliança do Norte deve ter papel fundamental nas decisões futuras. Leia o especial

Agencia Estado,

10 Outubro 2001 | 21h22

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