AFP PHOTO /MARTIN BERNETTI
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Número de mortos em terremoto de 8,3 graus no Chile sobe para dez

Autoridades chilenas suspenderam o alerta de tsunami para o território nacional nesta quinta-feira

O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 20h32

(Atualizado às 11h40) SANTIAGO -  O número de mortos em razão do forte terremoto que atingiu o norte de Santiago, no Chile, na noite da quarta-feira 15 subiu para 10, informou nesta quinta-feira, 17, o ministro do Interior chileno, Jorge Burgos, ao entregar o último balance oficial sobre a tragédia.

Não há registro de pessoas desaparecidas. Mais de um milhão de pessoas precisaram deixar suas casas. O tremor foi sentido no Brasil e na Argentina. 

Na manhã desta quinta, as autoridades chilenas retiraram o alerta de tsunami que havia sido emitido na noite de quarta. "O alerta de tsunami está suspenso para todo território nacional", informou o Escritório Nacional de Emergências pelo Twitter.

O Serviço Geológico dos EUA divulgou que o terremoto teve uma magnitude de 8,3 graus na escala Richter e as autoridades americanas divulgaram um alerta de tsunami para Havaí e Costa do Pacífico. Em Valparaíso foram registradas ondas de 1,7 metros e em várias praias da região central e sul do país foi observado o recuo das águas, o que indicava a chegada de grandes ondas.

De acordo com as autoridades americanas, o epicentro do terremoto estava localizado 246 quilômetros ao norte da capital chilena. Inicialmente, o centro geológico chileno havia estabelecido a magnitude do tremor em 7,3 graus na escala Richter. 

Segundo os primeiros relatos, houve corte dos serviços telefônicos em várias cidades chilenas em razão do congestionamento das linhas. O aeroporto de Santiago foi esvaziado preventivamente e o metrô da cidade funcionava ontem à noite com velocidade reduzida. 

Um mulher de aproximadamente 30 anos morreu ao ser atingida por um beiral que desabou em Illapel, na região de Coquimbo, ao norte de Santiago, e um homem de 86 anos teve um enfarte em Maipú, em Santiago.

Os Carabineiros (polícia chilena) foram postos em alerta para controlar possíveis situações de emergência. Moradores de Illapel denunciaram casos isolados de saques.

De acordo com o Centro Nacional de Sismologia da Universidad de Chile, o sismo foi sentido às 19h54, com epicentro localizado 36 quilômetros ao oeste da cidade de Canela e a 11 quilômetros de profundidade.

A brasileira Alejandra Soto Osses, filha de pais chilenos que há três anos vive em Santiago, disse que se preparava para começar sua aula de dança quando sentiu o terremoto que, segundo ela, foi intenso e longo. A escola, uma casa antiga, começou a tremer e ela e as outras alunas correram para debaixo dos batentes para se proteger.

Assim que o tremor passou, Alejandra tentou pegar um táxi e voltar para casa, pois estava preocupada com a filha de 12 anos que estava sozinha. Custou para encontrar um táxi e no trajeto de 40 minutos até sua casa, no Bairro La Florida, sul de Santiago, pôde sentir a terceira réplica do terremoto. 

Encontrou a filha, acompanhada de vizinhos, na entrada do prédio, que já havia resistido ao terremoto de 2010. Voltaram para o apartamento, no 5.º andar, onde viram os lustres balançarem e as janelas tremerem com as outras réplicas que, segundo as autoridades, passavam de dez. “Vamos dormir vestidas, com uma lanterna e uma garrafa de água do lado e preparadas para sair correndo”, disse.

O Chile situa-se em uma das extremidades de uma área conhecida como “Círculo de Fogo” do Pacífico, compondo uma região bastante propensa aos efeitos de movimentos telúricos. Terremotos de 7 graus ou mais têm potencial para causar graves danos em áreas habitadas. 

Um terremoto de 8,8 graus na escala Richter abalou em 2010 a Região do Maule e provocou um tsunami na área de Valparaíso, com ondas superi0res a 2,6 metros. Foram confirmadas as mortes de 723 pessoas. Em 1960, um terremoto de 9,5 graus abalou o centro-sul do Chile, deixando mais de 5.700 mortos e 2 milhões de feridos. / AP, REUTERS e AFP 

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