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Número de mortos no terremoto na Itália passa de 250

Segundo informações da Defesa Civil, ainda há muitos moradores debaixo de escombros e centenas estão desaparecidos; número de desabrigados chega a 2,5 mil

Andrei Netto, enviado especial / Amatrice, Itália, O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2016 | 00h07
Atualizado 25 Agosto 2016 | 21h48

AMATRICE, ITÁLIA - O terremoto de 6,2 graus na escala Richter que atingiu o centro da Itália na quarta-feira, 24, por volta das 3h30 locais (22h30 de terça-feira em Brasília), deixou 250 mortos em cidades da região de Úmbria, situada a cerca de 150 quilômetros de Roma.  O número de vítimas, entretanto, ainda pode aumentar, pois muitos turistas estavam na região aproveitando o fim do verão no Hemisfério Norte. Autoridades italianas disseram que ainda não é possível detalhar o número de desaparecidos.

 O balanço de mortos não para de aumentar e passou em cinco horas de 241 para 250, dos quais 190 apenas na pequena cidade de Amatrice, incluindo muitas crianças que passavam as férias com seus avós. Ao menos 2,5 mil pessoas ficaram desabrigadas.

Segundo o último balanço da Defesa Civil, 365 feridos, entre eles vários em estado grave, seguem hospitalizados, enquanto 215 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros.

Depois de mais de 15 horas de trabalho árduo, os bombeiros italianos conseguiram encontrar com vida uma menina de 10 anos. 

Georgia, completamente coberta de poeira, permaneceu impassível nos braços de seu salvador, entre aplausos e lágrimas. A irmã mais nova da sobrevivente foi encontrada morta.

Uma forte réplica de 4,3 graus de magnitude no início da tarde desta quinta-feira, de alguns segundos de duração que pareciam uma eternidade, provocou terror entre os bombeiros que trabalham no centro histórico de Amatrice.

O novo tremor causou novos deslizamentos e o campo esportivo da cidade, utilizado para as operações de resgate, precisou ser esvaziado. 

A violenta réplica, ocorrida na tarde desta quinta-feira, soltou as pedras do já danificado campanário de Santo Agostinho, igreja de Amatrice do século 15, obrigando os socorristas a saírem correndo. O sismo, que desencadeou medo e pânico, desprendeu a fachada da igreja, que ficou dependurada perigosamente sobre a rua principal, onde os serviços de emergência trabalhavam sob um céu azul e o sol quente do verão local.

A área em torno do epicentro é sujeita a tremores e já havia sido abalada seis anos atrás, quando a tragédia de L’Aquila deixou mais de 300 mortos. Desta vez, cidades como Amatrice e Accumoli, em Latium, e Pescara del Tronto, em Marche, foram destruídas.

As equipes de resgate correm contra o tempo e não perdem as esperanças de encontrar sobreviventes sob a montanha de pedras e destroços nas áreas devastadas pelo terremoto. As autoridades informaram que as buscas só devem ser interrompidas quando existir a certeza de que não é mais possível localizar pessoas.

O ministro das Relações Exteriores da Romênia detalhou que há 5 romenos entre as vítimas e 11 estão desaparecidos. Veículos de imprensa locais informaram também que entre os mortos há uma cidadã da Espanha, casada com um italiano.

O epicentro do tremor foi registrado a cerca de 10 quilômetros da cidade de Norcia, a uma profundidade estimada de 4 quilômetros. Ao longo de 138 segundos, a terra tremeu em grande parte do centro da Itália, chegando a afetar regiões de Roma, onde alguns moradores foram às ruas. 

Várias estradas e vias de acesso à região foram interditadas por terem sofrido danos estruturais, o que dificultou o acesso do socorro que se dirigiu por terra à região. Por isso, a amplitude da tragédia só começou a ficar clara no final da madrugada, quando as equipes de defesa civil chegaram à região de Umbria. 

Segundo o jornal La Repubblica, geologistas afirmaram que há agora um alto risco de deslizamentos de terra em razão do terremoto.

As autoridades temem pela vida dos hóspedes do célebre e histórico Hotel Roma de Amatrice, que estava lotado por ocasião de uma festa tradicional em homenagem à criação há 50 anos da receita de macarrão à "amatriciana". 

Em homenagem à receita com molho de tomate, pancetta e queijo de ovelha estão surgindo várias iniciativas de solidariedade por parte de cozinheiros e donos de restaurante de todo o mundo com a população de Amatrice. O diretor da Defesa Civil, Luigi D'Angelo, disse que o dono do hotel informou que muitos de seus clientes conseguiram escapar depois do primeiro e longo abalo na madrugada de quarta-feira.

Em visita à região à tarde para acompanhar os trabalhos de socorro, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, confirmou que o número de vítimas pode continuar a subir com o avanço dos trabalhos de socorro. “Nós devemos ficar prontos para urgências nos próximos dias ou próximas semanas. Mas, neste momento, a prioridade é cavar as ruínas”, afirmou. “Não deixaremos ninguém só, nenhuma família, nenhuma cidade, nenhum vilarejo.”

Desde o tremor, a região italiana está em estado de alerta vermelho em razão do risco de réplicas que podem ocorrer nas próximas horas. Até o meio-dia de hoje, mais de 160 novos tremores já haviam sido sentidos ao longo dos Montes Apeninos, de acordo com o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia. Os novos sismos, porém, não haviam feito novas vítimas, segundo as autoridades locais.

Veja abaixo: Forte terremoto mata dezenas de pessoas na Itália

Segundo Andrea Tertulliani, especialista do instituto, não se pode afastar a possibilidade de que novos tremores tão fortes quanto o primeiro venham a ocorrer. “Um terremoto de 6 graus de magnitude gera com certeza muitas réplicas, e é possível que possa haver um choque comparável ao principal”, afirmou ao jornal La Repubblica. “Estamos falando de uma área de risco muito elevado.”

Segundo o chefe do Departamento de Defesa Civil, Fabrizio Curcio, o tremor de quarta-feira foi comparável em intensidade ao ocorrido na localidade de L’Aquila, ao sul da mesma região, que deixou mais de 300 mortos em 6 de abril de 2009. / COM AFP E REUTERS

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