Fortuna de Cristina Kirchner aumentou 687% desde 2003

Fundo hedge investiga gastos de filha da presidente argentina

Ariel Palacios, correspondente / Beunos Aires, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2014 | 15h33

BUENOS AIRES - A declaração oficial de bens da presidente argentina Cristina Kirchner divulgada segunda-feira indicou uma fortuna pessoal de 55,304 milhões de pesos (US$ 6,06 milhões no câmbio atual). Isso indica um aumento em pesos de 14,7% em comparação com 2012, quando sua declaração juramentada registrava bens pelo valor de 48,213 milhões de pesos (US$ 12,05 milhões na cotação da época).

A fortuna oficial do casal Kirchner não parou de crescer desde a chegada à Casa Rosada em 2003. Naquele ano, os Kirchners possuíam 7,02 milhões de pesos (US$ 2,925 milhões). Isso indica que nos últimos 11 anos o patrimônio dos Kirchners teve um aumento de 687%.

Integrantes da oposição afirmam que chama a atenção o crescimento da fortuna da presidente enquanto esteve ocupada com o exercício do governo. A presidente retruca afirmando que é uma "advogada de sucesso".

A fortuna da presidente é composta por 26 imóveis, dezenas de depósitos bancários e participações acionárias em seis empresas, basicamente do setor de hotelaria e imobiliário na Patagônia. Cristina é dona de dois hotéis de luxo no vilarejo de El Calafate, na província de Santa Cruz.

O casal Kirchner foi indiciado diversas ocasiões nos tribunais por suspeitas de enriquecimento ilícito. Mas, a maioria dos casos foi arquivada. Alguns dos processos, na província de Santa Cruz, feudo político dos Kirchners, estavam a cargo da promotora federal Natalia Mercado. Coincidentemente, ela é sobrinha direta de Néstor e Cristina Kirchner, filha da ministra da Ação Social, Alicia Kirchner.

O jornal La Nación sustentou que o fundo hedge NML, que está processando a Argentina em tribunais americanos, exigindo o pagamento de US$ 1,33 bilhão referentes aos títulos da dívida pública argentina em estado de calote desde 2001, está buscando ativos no exterior pertencentes a Florencia Kirchner, a filha caçula da presidente Cristina.

O NML estaria investigando onde Florencia residiu em Nova York durante o curso de cinema que realizou em 2010. Segundo o La Nación, a filha da presidente teria residido em um luxuoso apartamento na Park Avenue.

O NML está tentando descobrir dados sobre gastos e ativos no exterior da família Kirchner e seus amigos empresários, entre eles o empreiteiro Lázaro Báez. Em 2007, aplicando a mesma estratégia, o NML pressionou o presidente do Congo, Denis Sassou-Nguesso, depois que o líder africano recusou-se a pagar títulos da dívida que o fundo hedge havia comprado.

A estratégia do NML foi a de divulgar à imprensa mundial detalhes sobre os gastos de luxo do presidente congolês e seu filho. Sassou-Nguesso, acuado dentro do próprio país pelos escândalos, cedeu e pagou US$ 90 milhões por títulos em estado de calote.

Florencia, por intermédio da conta de Facebook da mãe, afirmou que nunca esteve nesse apartamento e morou em uma residência de estudantes na Terceira Avenida.

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