Fórum de direitos humanos da ONU discutirá crise dos alimentos

O Conselho de Direitos Humanosda Organização das Nações Unidas (ONU) realizará uma sessãoespecial no dia 23 de maio para avaliar como a crise mundialdos alimentos está prejudicando o acesso à comida para milhõesde pessoas, disseram autoridades nesta sexta-feira. O direito a uma alimentação adequada e a não sofrer com afome consta das leis internacionais e faz parte dos direitoshumanos básicos e universais. O pedido referente à realizaçãodo encontro partiu de Cuba, do Egito e do Paquistão, tendo sidoaprovado por 41 dos 47 países-membros do conselho. Em um comunicado, os requisitantes afirmaram que, enquantoas famílias de classe média do mundo ocidental gastam 20 porcento de seus orçamentos para comer, as famílias dos países emdesenvolvimento podem gastar entre 60 e 80 por cento de suarenda com os alimentos. "A elevação do preço dos produtos alimentícios, somando-seaos custos de transporte decorrente do preço do petróleo, tornadifícil para as agências internacionais cumprirem suasobrigações, já que o custo de fornecer ajuda na forma de comidaelevou-se substancialmente", afirmaram os requisitantes. Manifestações, greves e distúrbios surgiram em cerca de 40dos países mais pobres do mundo após a disparada dos preços dotrigo, arroz, milho, óleos comestíveis e outros alimentosbásicos. Estima-se que mais de 850 milhões de pessoas no mundo todoestejam enfrentando grandes dificuldades para ter acesso aprodutos alimentícios. Outros 2 bilhões sofreriam dedesnutrição, problema esse que, segundo a Organização Mundialda Saúde (OMS), pode gerar males permanentes em crianças. As populações da África subsaariana e do sul da Ásia foramas mais atingidas pela disparada do preço dos alimentos, algoque os economistas atribuem a vários fatores, entre os quaissecas, o aumento dos custos do combustível e dos fertilizantes,o uso de grãos para fabricar biocombustíveis e uma ondaespeculativa nos mercados de commodities. Olivier de Schutter, o novo relator da ONU para a área dealimentação, pediu na semana passada que o Conselho de DireitosHumanos realizasse uma sessão especial a fim de discutir o quedescreveu como sendo uma "violação gritante" dos direitoshumanos. De Schutter afirmou que a crise dos alimentos, equivalente,nas palavras dele, a um "tsunami silencioso", era provocadapelos seres humanos. O enviado da ONU defendeu a suspensão denovos investimentos nos biocombustíveis e pediu que os EUA e aUnião Européia (UE) abandonassem suas metas a respeito dautilização desse tipo de combustível. (Reportagem adicional de Laura MacInnis)

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