Fórum polêmico em Porto Alegre defende Palestina

A votação na Assembleia-Geral da ONU atraiu ontem todas as atenções do Fórum Social Mundial Palestina Livre, evento que reúne representantes de 36 países em 158 atividades para discutir, até amanhã, em Porto Alegre, uma série de questões referentes ao povo e à autonomia palestina.

LUCAS AZEVEDO, ESPECIAL PARA O ESTADO , PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2012 | 00h23

As entidades, sindicatos e organizações não governamentais responsáveis pela organização das atividades esperam a presença de 8 mil pessoas no evento - criticado por entidades judaicas em razão da utilização de espaço e logística fornecidos pelo governo do Rio Grande do Sul.

"A nossa luta somente terminará quando o Estado da Palestina se tornar uma realidade", afirmou, durante o encontro, o embaixador palestino no Brasil, Ibrahim al-Zeben.

Para Al-Zeben, o objetivo do fórum é o reconhecimento e respeito dos direitos internacionais de um Estado palestino.

'Discussão civilizada'. "Estamos a favor dos israelenses e a favor dos palestinos. Queremos discutir de forma civilizada a situação do povo palestino de maneira solidária, para não dar nenhum pretexto para aqueles que não querem uma Palestina livre", salientou Al-Zeben.

O Brasil é um dos mais de 140 países que, em todo o mundo, reconhecem o Estado palestino e a representação em Brasília já tem status de missão diplomática desde 10 de dezembro de 2010.

O Comitê do Estado da Palestina foi fundado em São Paulo em agosto de 2010 e é integrado por 58 entidades e instituições, partidos políticos e as seis centrais sindicais. Todo ano, ele promove atividades em apoio à admissão do Estado da Palestina como 194.º membro das Nações Unidas.

O fórum teve início oficialmente ontem, com uma concentração no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre.

O diplomata Al-Zeben qualificou de "uma forma de convivência não civilizada" os últimos conflitos na região, que já vitimaram centenas de pessoas. "Lançar ataques aéreos não é uma forma civilizada de responder. Não queremos ser bombardeados. Lutamos por uma convivência pacífica, harmônica e de paz."

O documento de referência do fórum, que deve pautar a maior parte dos debates, defende o direito do povo palestino a resistir à ocupação e ao "apartheid"; o fortalecimento de uma campanha global de boicote, desinvestimento e sanções contra Israel; proteção aos refugiados palestinos em outros países até que possam exercer o direito de voltar aos seus lares; defesa dos direitos dos palestinos na Jerusalém ocupada; e libertação dos prisioneiros palestinos em Israel, entre outros itens.

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