Fórum Social quer avanços no Oriente Médio

A renúncia do presidente Hosni Mubarak foi recebida com euforia pelos militantes de esquerda no 11.º Fórum Social Mundial, em Dacar, no Senegal. Intelectuais e ativistas exortaram os EUA e a Europa a não intervir no curso do país rumo à democracia, mesmo que as futuras eleições venham a ser vencidas pela Irmandade Muçulmana.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2011 | 00h00

"É uma batalha significativa vencida pelo povo do Egito. Mas Mubarak não é o regime, é o seu símbolo", afirmou o egípcio Mamdouh Abajhi, vice-presidente do fórum na África, que define o movimento como "anti-imperialista".

Mesmo antes da queda do ditador, ativistas como Abajhi e intelectuais como Samir Amin, economista egípcio, já denunciavam a tentativa do Ocidente de conduzir o Egito durante a transição, mantendo seu alinhamento na política externa aos EUA. "O objetivo dos manifestantes é mudar o sistema. Não é apenas alcançar uma democracia que ponha fim à ditadura da polícia", disse Amin.

Segundo o economista, os egípcios lutam pelo direito de transformar a realidade econômica e social do Estado. Além disso, desejam o reconhecimento do direito do Egito, como Estado, de conduzir sua política internacional de maneira independente ao Ocidente.

"O Egito deve sair desse alinhamento automático e incondicional à hegemonia dos EUA, que inclui a obrigação de tolerar a continuidade da colonização por Israel do Estado palestino", afirmou Amin.

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