Fósseis revelam que dois tipos de ancestrais do homem coabitaram

Um crânio e o maxilar superior de duasdas mais antigas ramificações da árvore genealógica dos sereshumanos -- o Homo erectus e o Homo habilis -- indicam que osdois tipos de ancestrais do homem viveram bem próximos um dooutro por cerca de 500 mil anos, disseram pesquisadores naquarta-feira. Os fósseis, descobertos no leste da África, põem em xeque aidéia de que os seres humanos tenham evoluído em sequência,desde o Homo habilis até o Homo sapiens, passando pelo Homoerectus. "Havia a noção que indicava que o Homo habilis foi sedesenvolvendo lentamente até chegar a H. erectus", disse SusanAnton, professora de antropologia da Universidade de Nova York."Agora temos os dois coabitando, portanto isso não pode teracontecido." A pesquisa, publicada na revista Nature, foi conduzida pornove cientistas, entre eles Anton, a paleontóloga Meave Leakeye sua filha Louise Leakey -- ambas da Sociedade NationalGeographic--, e Fred Spoor, do University College London. Os dois fósseis foram encontrados no ano 2000 a leste dolago Turkana, no Quênia, dentro do projeto de pesquisa KoobyFora, ligado aos Museus Nacionais do Quênia. A proximidade entre eles indica que as duas espécies tinhamfontes de alimento e comportamentos diferentes, para permitirque vivessem tão próximas entre si sem ser extintas. "Fica a dois ou três minutos de caminhada", disse PatrickGathogo, da Universidade de Utah, que ajudou a estudar ascamadas geológicas. "Elas devem ter interagido entre si", dissenuma entrevista por telefone. O osso da mandíbula do Homo habilis data de 1,44 milhão deanos atrás, e é mais recente que outros fósseis conhecidos daespécie. "O novo fóssil de mandíbula sugere que o Homo habilisera uma espécie-irmã do Homo erectus, vivendo mais ou menos aomesmo tempo, e não a espécie-mãe, que teria dado origem a ele",afirmou Spoor numa nota. O segundo fóssil, encontrado na mesma região do norte doQuênia, é um crânio bem preservado de Homo erectus, que data decerca de 1,55 milhão de anos atrás. O que chama a atenção nesse fóssil é seu tamanho. É o menorcrânio de Homo erectus já encontrado, e revela um panoramadiferente sobre a espécie, indicando que havia mais diversidadedo que imaginavam os pesquisadores. Uma das possibilidades éque a espécie apresentasse o dimorfismo sexual, como osgorilas, em que os machos têm crânios bem maiores que asfêmeas. Segundo os cientistas, trata-se de uma característicaprimitiva. "Isso torna o Homo erectus um pouco menos parecidoconosco", disse Anton. De acordo com Spoor, todas as evidências disponíveis aindasugerem que o Homo sapiens evoluiu a partir do Homo erectus,num processo que aconteceu na África há mais de 1 milhão deanos.

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