Bashar al-Sheikh / SY24 / AFP
Bashar al-Sheikh / SY24 / AFP

Foto capta momento em que irmã tenta salvar bebê após ataque na Síria

Menina de 5 anos segura pela camiseta irmã, de apenas 7 meses, em meio a escombros após bombardeios aéreos do regime Bashar Assad no norte da Síria

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 16h10

BINNISH, SÍRIA - A imagem foi amplamente compartilhada nas redes sociais: duas meninas presas em destroços de um prédio enquanto uma delas tenta segurar pela camiseta a irmã menor, ainda bebê, pendurada a vários metros do chão, após um bombardeio aéreo no norte da Síria

Na foto, estão Riham, de 5 anos, agarrada à camiseta de Tuka, de 7 meses, prestes a cair, enquanto Dalia, ao seu lado, está presa sob os escombros de cimento. Atrás delas, mais acima, sobre pedaços de concreto, um homem se desespera e leva as mãos à cabeça, impotente diante do drama. 

Capturada pelo fotógrafo Bashar el Sheij, do site SY24, essa cena angustiante ocorreu na quarta-feira em Ariha, cidade da Província de Idlib, alvo de bombardeios do regime de Bashar Assad, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). 

A pequena Riham morreu pouco depois dessa foto, enquanto a bebê Tuka e a irmã Dalia foram levadas para um hospital em Idlib. 

"Tuka sofreu um traumatismo cranioencefálico. Ficou sob respiração artificial por 24 horas e agora está sob cuidados intensivos. Seu estado de saúde é estável, se Deus quiser", afirmou à France-Presse o médico Ismail. 

Dalia, por sua vez, também está em estado estável, depois de ter sido operada em um ferimento no peito, segundo o médico Mohamed, do mesmo hospital. 

O socorrista dos Capacetes Brancos Tawfik Kattan, que ajudou nos resgates na quarta-feira em Ariha depois do ataque aéreo, relatou que após ter retirado uma vítima, voltou rapidamente ao local do drama, mas as meninas já tinham caído. 

A mãe desta família, composta por seis irmãs, morreu nos bombardeios. Além de Riham, outra de suas filhas, Rowan, de 3 anos, morreu na quinta-feira após não resistir aos ferimentos. 

O regime sírio, apoiado por seu aliado russo, tem conduzido bombardeios quase diários desde o fim de abril na Província de Idlib e nas províncias vizinhas de Alepo, Hama e Latakia. 

Em quase três meses, os bombardeios aéreos mataram cerca de 740 civis, entre eles mais de 180 crianças, segundo o OSDH. Iniciada em 2011, a Guerra na Síria causou mais de 370 mil mortos e milhões de deslocados. 

Na quinta-feira, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, criticou a indiferença do mundo para com o conflito, cujos bombardeios nos últimos dez dias mataram 103 pessoas - 26 crianças. "Esses ataques aéreos aconteceram em meio a uma aparente indiferença internacional", criticou, em comunicado. 

A alta comissária advertiu também que apesar dos pedidos da ONU para que esses ataques não atinjam alvos civis "o governo sírio e seus aliados continuaram atacando instalações médicas, colégios e outras infraestruturas como mercados e padarias".

A ex-presidente do Chile lembrou que os ataques contra civis são crimes de guerra e, portanto, aqueles que os realizam são criminalmente responsáveis por suas ações. / AFP e EFE 

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