Demian Alday Estevez/EFE
Demian Alday Estevez/EFE

Foto de Fernández em festa durante a quarentena abre crise política na Argentina

Opositores entraram com pedido de impeachment; à época, reuniões privadas eram proibidas

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2021 | 20h10

BUENOS AIRES - A divulgação de uma foto de uma festa em julho do ano passado durante a quarentena contra a covid-19 na Argentina abriu uma crise política no governo do presidente Alberto Fernández. A reunião de amigos na residência oficial de Olivos para comemorar o aniversário da primeira-dama Fabíola Yanez fez parlamentares da oposição entrarem com um pedido de impeachment contra o mandatário. Embora seja improvável que o processo tenha seguimento, Fernández pediu desculpas por ter participado do evento.

O pedido de impeachment foi apresentado pelos deputados opositores Mario Negri, Luis Petri, Waldo Wolff e Cristian Ritondo, que qualificaram a reunião como um “ato de impunidade”. Na época, mesmo reuniões privadas estavam proibidas no país. 

“É um crime com implicações éticas, morais e de governança”, disse Wolff. “Apesar de não termos os votos, é hora de chamar a atenção para isso, e há um grande número de cidadãos que concorda conosco.”

De acordo com o jornal argentino La Voz, o procurador da República, Ramiro González, protocolou um pedido de investigação. González solicitou à Casa Militar que informasse quem ingressou na residência presidencial em 14 de julho de 2020, se essas pessoas tinham autorização para circular e quem autorizou a entrada.

Ainda de acordo com o La Voz, o caso teria sido iniciado por uma denúncia contra o presidente e Sofía Pacchi, uma ex-modelo e assessora da primeira-dama, mas outras acusações se juntaram a elas. No momento, a lista de investigados contempla 62 pessoas, a maioria funcionários ou líderes governamentais.

Em um evento em Buenos Aires nesta sexta-feira, Fernández lamentou ter violado as regras da quarentena e pediu desculpas. “Fabíola fez um brinde com os amigos para celebrar o seu aniversário que não deveria ter ocorrido e eu me arrependo”, disse o presidente, que na foto não usava máscaras nem cumpria distanciamento em relação aos outros presentes.

No ano passado, a Argentina implementou um rígido regime de quarentena que conseguiu conter por alguns meses o número de casos e mortes por covid-19 no país. No segundo semestre, no entanto, depois da reabertura gradual da economia, o país foi severamente golpeado pelo vírus. Em 2021, a chegada da variante Gama à Argentina levou o sistema público de saúde ao quase colapso. 

A crise deve acirrar o clima das eleições de novembro, quando a oposição tentará tomar o controle do Congresso, em meio a uma campanha de vacinação que começou incipiente e, atualmente, avança em velocidade similiar à brasileira. /AFP e REUTERS

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