Jose Luis Gonzalez/REUTERS
Jose Luis Gonzalez/REUTERS

Foto de imigrante implorando a agente mexicano para entrar nos EUA viraliza nas redes sociais

Guatemalteca chega à fronteira com o filho de 6 anos em busca de refúgio no lado americano; após distração do soldado, eles conseguem fugir

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 14h27
Atualizado 27 de julho de 2019 | 12h52

CIUDAD JUÁREZ, MÉXICO - Ledy Pérez foi ao chão, uma mão cobrindo seu rosto enquanto chorava, um braço agarrado ao seu filho de 6 anos, que observava desafiadoramente o soldado da Guarda Nacional mexicana que bloqueava a passagem para os EUA.

Imagens de mãe e filho, que já haviam viajado mais de 2 mil km de seu país, Guatemala, até a cidade de Ciudad Juárez para serem parados a poucos passos dos EUA, foram captadas pelo fotógrafo da agência Reuters José Luís González, na segunda-feira, ao cair da noite.

“A mulher implorava, suplicava para a Guarda Nacional deixá-los passar. Ela queria cruzar a fronteira para dar um futuro melhor ao seu filho, Anthony Díaz”, afirmou González. O soldado, usando uma farda para o deserto e com um fuzil de assalto pendurado no ombro, disse que estava apenas seguindo ordens, de acordo com González.

As imagens viralizaram nas redes sociais, trazendo aos holofotes o papel que a Guarda Nacional mexicana tem cumprido em conter a imigração, majoritariamente de pessoas vindas da América Central.

Ledy foi pega pela Guarda Nacional juntamente com um grupo de imigrantes latinos em uma estrada de terra, de onde é possível ver o Rio Grande, que divide os dois países. De repente, ao ver uma oportunidade, quando o soldado se afastou, ela pegou seu filho e os dois foram se segurando nos arbustos nas margens do rio e conseguiram sair do México. Ledy e o filho correram para a Agência Alfandegária e de Proteção Fronteiriça dos EUA (CBP, na sigla em inglês).

“Segundo as autoridades, a guatemalteca e seu filho estão em boas condições e sendo atendidos na estação de Patrulha Fronteiriça de Lordsburg, no Novo México, enquanto seu caso avança”, afirmou o cônsul da Guatemala no Texas, Tekandi Paniagua. “Eles receberam cuidados médicos e estão sendo atendidos”, disse um representante da chancelaria da Guatemala.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, criou a Guarda Nacional com a justificativa de reduzir os índices de homicídio no México, mas quase um terço de seus membros estão encarregados de patrulhar a fronteira, cumprindo as exigências do presidente Donald Trump para reduzir o fluxo de imigrantes nos EUA.

O soldado não demonstrou agressividade durante o encontro de nove minutos com Ledy e seu filho. Ainda assim, a dinâmica de poder aparente na imagem provocou críticas ao tratamento que imigrantes estão recebendo no México.

O ex-presidente mexicano Felipe Calderón, ao compartilhar a foto no Twitter, escreveu: “Que vergonha, o México nunca deveria ter aceitado isso”.

O porta-voz de López Obrador, Jesús Ramírez, afirmou que a imagem é um exemplo da Guarda Nacional fazendo “seu trabalho” de zelar pela segurança pública. Ele afirmou que o soldado não impediu Ledy de atravessar a fronteira, mas aconselhou-a dos perigos envolvidos na decisão. “A Guarda Nacional combate o crime de tráfico de pessoas e protege os direitos humanos da população e dos migrantes atravessando o país”, disse.

Em junho, López Obrador afirmou que a Guarda Nacional não tem ordens para deter imigrantes que queiram atravessar a fronteira para os EUA. Regularmente, ele enfatiza que a repressão não pode violar direitos. No entanto, as apreensões de imigrantes na fronteira sul dos EUA caíram quase um terço em junho, em comparação a maio, para 100 mil pessoas, segundo o governo americano, após o México enviar 21 mil soldados da Guarda Nacional para a região. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.