Foto de soldado sírio decapitado mostra a barbaridade do Isil, diz premiê da Austrália

Na imagem divulgada na mídia australiana, menino segura a cabeça do militar; Isil crucificou 2 pessoas e executou 23 em cinco dias

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2014 | 10h43

SIDNEY - A fotografia de um menino segurando a cabeça decapitada de um soldado sírio publicada nesta segunda-feira, 11, na mídia australiana mostra a barbaridade dos militantes do Estado Islâmico do Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês), afirmou o primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott.

A imagem, que havia sido postada no Twitter, mostra um menino de sete anos, que segundo o jornal australiano deve ser o filho do jihadista de Sidney Khaled Sharrouf, o terrorista mais procurado no país que fugiu para a Síria no ano passado e se tornou integrante do Isil. A fotografia foi feita na cidade síria de Raqqa e postada semana passada no Twitter de Sharrouf.

Para Abbott, a fotografia era "mais uma evidência de quão bárbara essa entidade é". O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, concordou com o premiê australiano. "A fotografia é uma evidência gráfica da real ameaça que o Isil representa."

O governo da Austrália acredita que ao menos 150 australianos estejam envolvidos na luta ou apoio ao Isil na Síria e no Iraque.

Resistência. Nos últimos cinco dias, o Isil esmagou um foco de resistência a seu controle no leste da Síria, crucificando duas pessoas e executando outras 23, disse nesta segunda um grupo que monitora a situação no país.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos, uma organização de monitoramento com sede na Grã-Bretanha, e residentes no leste da Síria disseram que os combatentes da tribo al-Sheitaat, abrigada na província de Deir al-Zor, haviam tentado resistir ao avanço do Isil neste mês.

Em al-Shaafa, uma cidade às margens do rio Eufrates, o Isil decapitou dois homens do clã al-Sheitaat no domingo 10, disse o Observatório, e deu aos residentes da cidade 12 horas nesta segunda para entregarem outros membros da tribo.

Em outras partes da província de Deir al-Zor, os militantes crucificaram dois homens pelo crime de "lidarem com apóstatas" na cidade de Mayadin e outros dois foram mortos por blasfêmia na cidade de al-Bulel, segundo o Observatório.

O Observatório disse que outros 19 homens da tribo al-Sheitaat foram executados na quinta, 18 a tiros e um decapitado, nos arredores da cidade de Deir al-Zor. Segundo a entidade, os homens trabalhavam em uma instalação de petróleo.

"Ninguém das outras tribos agora ousa se colocar contra o Isil, após a derrota da al-Sheitaat", disse Ahmad Ziyada al-Qaissi, partidário do Isil contatado pela Reuters via Skype, falando a partir de Mayadin.

Fontes tribais disseram que o conflito entre o Isil e a tribo al-Sheitaat, que tem cerca de 70 mil pessoas, acirrou-se após o Estado Islâmico ter tomado dois campos de petróleo em julho. Um deles, o al-Omar, é o maior campo de petróleo e gás em Deir al-Zor e tem sido uma fonte lucrativa de fundos para grupos rebeldes.

O chefe da tribo al-Sheitaat, o xeique Rafaa Aakla al-Raju, pediu, em uma mensagem em vídeo divulgada domingo, para outras tribos se unirem na luta. "Fazemos um apelo a outras tribos para nos apoiarem, porque depois será a vez delas. Se (o Isil) acabar conosco, outras tribos serão o alvo após o al-Sheitaat." / REUTERS

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