Foto de taleban com farda de francês morto causa indignação

Entrevista da ?Paris Match? com líder do grupo que emboscou soldados no Afeganistão choca França

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2008 | 00h00

Fotos de um militante do Taleban vestido com uniforme do Exército francês, publicadas pela revista Paris Match, chocaram a França ontem. A revista também publicou uma entrevista com o suposto líder rebelde, duas semanas após a morte de dez soldados numa emboscada no interior do Afeganistão. O militante faz ameaças às forças estrangeiras e aos "interesses franceses no mundo" e descreve detalhes do ataque do dia 18: "Se não tivesse anoitecido, teríamos matado todos." As imagens mostram um militante afegão com o rosto encoberto, armado e usando uma das fardas francesas. O uniforme teria sido apreendido 15 dias atrás, durante a emboscada a soldados do 8º Regimento de Infantaria, ação que resultou na morte dos franceses. Tão chocante quanto as fotos é o teor da entrevista. A conversa ocorreu nos arredores do Vale de Uzbin, próximo ao local da emboscada, com o autodenominado "Comandante Farouki", líder de um grupo que protege a região contra tropas estrangeiras. Explicando as razões do ataque às forças francesas, Farouki alegou que os soldados "ultrapassaram o limite" indo até o local. "O Vale de Uzbin nos pertence. É nosso território. Foi legítima defesa."Segundo o taleban, os franceses já haviam sido alertados para que não entrassem na região. "Esses homens estão mortos por causa de (George W.) Bush e de seu presidente", disse, referindo-se a Nicolas Sarkozy, cujo governo reforçou as tropas na região. "Não quisemos matar seus maridos e filhos. Não queremos mal aos franceses. Se eles partirem, tudo ficará bem", disse Farouki. "Da próxima vez, atacaremos sua base, em Tagab. E atacaremos interesses da França em todo o mundo."As declarações e as fotos causaram repulsa em Paris. Parentes das vítimas e políticos reagiram às ameaças. Joël Le Pahun, pai de um dos soldados mortos, declarou-se atordoado, mas apoiou o governo e pediu à Otan que reforce sua presença no Afeganistão. "Faz mal vermos esses assassinos posando com roupas de nossos filhos", disse à France Presse. "É preciso erradicar esse fenômeno." Sarkozy não se mostrou intimidado pelas ameaças, mas pediu apoio às decisões do governo sobre a presença militar no Afeganistão: "Lutando lá, nossos soldados nos protegem aqui."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.