Fotos de Castro aumentam expectativas na Cúpula de Cuba

A televisão estatal cubana mostrou fotos de Fidel Castro de pijama, conversando animadamente com um deputado argentino, aumentando expectativas de que o presidente cubano irá usar o Encontro dos Países Não-Alinhados para fazer sua primeira aparição pública desde que passou por cirurgia em julho. O presidente da Assembléia Nacional Ricardo Alarcón disse na quarta-feira que Castro "está bem" e pode participar de alguma atividade no encontro em Havana. Castro, de 80 anos, disse que teria encontros particulares com dignatários estrangeiros. Está quase certo que ele se encontrará com seu amigo, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, com quem se encontrou três vezes desde que anunciou em 31 de julho que havia passado por uma cirurgia intestinal e temporariamente cedia seu cargo ao seu irmão, de 75 anos, Raúl Castro, ministro da Defesa. A Cúpula de Cuba antecipou a chegada de vários críticos dos EUA, antes da sessão da Assembléia Geral da ONU, onde as ambições nucleares do Irã e os esforços da Venezuela para fazer parte do Conselho de Segurança serão os pricipais assuntos. A televisão estatal mostrou na quarta-feira Fidel Castro conversando com o presidente da comissão de recursos naturais e meio ambiente da câmera de deputados da Argentina, Miguel Bonasso. O programa de notícias "Mesa Redonda" disse que Bonasso, que faz visitas freqüentes a Cuba, havia viajado como representante pessoal do presidente argentino, Néstor Kirchner.O ex-presidente Carlos Menem, aliado próximo dos EUA, havia tirado a Argentina do Movimento dos Não-Alinhados no começo dos anos 90, ao dizer que seu país não era mais uma nação de terceiro mundo. Desde então o país enfrentou uma crise do peso e, como conseqüência, uma crise econômica. Cuba disse que a Argentina é bem vinda de volta ao movimento. Um país que não participará da cúpula são os EUA, que recusou o convite de participar como observador. Um funcionário da Sessão de Interesses dos EUA em Havana disse que não haverá comentários sobre nenhum assunto discutido na cúpula.Ainda assim, as políticas do governo Bush são assuntos recorrentes. Alarcón fez um longo discurso na quarta-feira Cuba, que ocupará a partir de sexta-feira a cadeira da presidência pelos próximos três anos, após a Malásia, tenta aumentar seu prestígio como uma voz dos países em desenvolvimento. Atualmente o Movimento inclui aproximadamente dois terços dos países do globo. O grupo se formou durante a Guerra Fria como alternativa em um mundo dividido entre os EUA e a União Soviética. O movimento passou a ter 118 países nesta semana com a entrada do Haiti e de St. Kitts, nações caribenhas. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, irá participar como observador, e espera se encontrar com Fidel Castro. Muitos líderes que estão em Cuba devem seguir direto para a sessão da ONU em Nova York, e alguns planejam se encontrar com Bush em Washington.Entre os líderes mais conhecidos, participam do evento os presidentes do Paquistão e da África do Sul,Pervez Musharraf e Thabo Mbeki, assim como os premiês da Índia e da Tailândia.

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