NYT/Christie’s Images Ltd. 2019
NYT/Christie’s Images Ltd. 2019

Fotos de Jackie Kennedy na Índia e no Paquistão em 1962 revelam rara diplomacia para a época

Fotografias da primeira-dama e sua irmã, Lee Radziwill, estão entre os itens a serem leiloados pela Christie’s na próxima semana 

Tariro Mzezewa / The New York Times, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 08h00

NOVA YORK - Quando Jacqueline Kennedy e sua irmã mais nova, Lee Radziwill, iniciaram um tour pela ÍndiaPaquistão em março de 1962, a primeira-dama foi então descrita pela revista Life como "indiscutivelmente a mulher mais famosa do mundo". 

Na Índia, uma multidão acompanhou a visita de Jackie a Jaipur, Nova Délhi e Fatehpur Sikri. No Paquistão, ela recebeu boas-vindas de longas  fileiras de pessoas nas ruas de Lahore, Karachi e Khyber Pass. 

As irmãs passaram duas semanas nesses países e foram fotografadas andando em camelos e elefantes, percorrendo o Rio Ganges em um barco, participando de exibições de cavalos e gado e de jantares de gala com políticos, diplomatas e outros dignatários. 

A partir desta sexta-feira, 11, o álbum pessoal de fotos de Radziwill da viagem entrará em exposição na casa de leilões Christie’s, em Nova York uma semana antes do leilão de um pacote de itens que inclui joias, livros, obras de arte, entre outras peças de sua casa em Nova York. Radziwill teve morte natural em sua casa em fevereiro, aos 85 anos. 

Ela se tornou uma princesa ao se casar com um nobre imigrante polonês, o príncipe Stanislas Radziwill, em 1959. "É interessante ver como o estilo de vida da princesa Radziwill - como ela vivia, o interior de sua casa - reflete suas viagens", disse Jonathan Rendell, vice-presidente da Christie's e responsável pelo leilão. 

Apesar de terem um relacionamento complicado, as duas irmãs viajavam juntas com frequência. Elas até escreveram um livro sobre sua primeira viagem para a Europa. O fato de a primeira-dama ter levado sua irmã para a Índia e Paquistão demonstra que elas estavam em uma boa fase. 

"Não havia necessidade de a sra. Kennedy levar a irmã, mas ela quis fazer isso", explicou Rendell. "Você pode ver que elas estão aproveitando a companhia uma da outra." 

Índia e Paquistão tinham sido divididos havia 15 anos quando as duas chegaram. A guerra entre Índia e China começaria naquele ano, mais tarde. 

"O momento da visita das irmãs era crucial - havia uma lenta bomba-relógio sobre a luta da Caxemira, que acontecia entre Índia, China, Paquistão e Afeganistão", explicou Manan Ahmed, historiador da Columbia University. 

Na Índia, recepção com tapete vermelho

No dia 12 de março, após tomarem um voo fretado da Air India em Roma, as irmãs foram recebidas por um tapete vermelho no Aeroporto de Palam, em Nova Délhi. 

Elas estavam acompanhadas pelo embaixador americano para a Índia, John Kenneth Galbraith, e sua mulher, Kitty. As irmãs foram recebidas pelo primeiro-ministro Jawaharlal Nehru e sua filha, Indira Gandhi

No álbum azul com inscrições em dourado, há fotos coloridas e em preto e branco de Jackie em frente ao Taj Mahal em um vestido verde e luvas brancas e das irmãs em um jantar de gala com o embaixador da Índia para os EUA, Braj Kumar Nehru, com sua mulher e filha. O álbum contém 89 fotografias. 

Nos anos 60, explicou Rendell, as primeiras-damas não desempenhavam um papel nas relações dos EUA no mundo. As fotografias de Radziwill, no entanto, mostram Jackie e sua irmã com o primeiro-ministro Nehru e outros em situações semi-oficiais. 

"Esse tipo de diplomacia está quase desaparecendo", afirma o historiador. "Isso é uma pena, porque ela projeta uma certa versão da cultura americana." 

No Paquistão, buquês de flores eram arremessados

Após oito dias na Índia, Jackie e Radziwill seguiram para o Paquistão, onde foram recebidas por multidões com flores e presentes. 

Clint Hill, um agente do serviço secreto presente na viagem, disse mais tarde à Radio Free Europe que "malditos buquês inteiros" eram arremessados enquanto as duas passavam de carro pelas ruas. "Eu tinha de me levantar para evitar que alguns deles atingissem a cabeça de Jackie", contou. 

Um álbum verde traz as fotos das duas com o então presidente paquistanês Mohammad Ayub Khan. As duas também se encontraram com o condutor de camelos Bashir Ahmad e sua família na residência do presidente em Karachi. Elas chegaram a dar uma volta em um de seus camelos. 

"Essas fotografias são uma pequena parte dos EUA que desapareceu completamente", disse Rendell. "Elas parecem estar tão felizes, e você sabe o que vai acontecer em seguida (assassinato do presidente John Kennedy em 1963), e sabe que não há nada que possa ser feito." / NYT 

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