Fox admite dureza em Oaxaca, mas fala em estabilidade

O presidente do México, Vicente Fox, admitiu nesta quarta-feira em entrevista à agência Efe que o conflito na cidade de Oaxaca, no sul do país, "é um problema duro", mas disse que a questão é local, e não representa a instabilidade de todo o país. A exatamente um mês de transmitir o cargo ao presidente eleito, Felipe Calderón, o líder mexicano afirmou que seu sucessor herdará o conflito de Oaxaca "no ponto que estiver". Na primeira entrevista concedida após o envio de tropas federais em Oaxaca, no fim de semana passado, Fox defendeu a atuação das forças da ordem, negou que elas tenham ligação com as mortes ocorridas e afirmou que as causas destas serão "profundamente" investigadas, para que "caia todo o peso da lei" sobre os responsáveis. Os manifestantes que têm ocupado Oaxaca desde maio em um protesto salarial que acabou levando ao pedido de renúncia do governador estadual, Ulises Ruíz, culpam a Polícia pela morte de três pessoas, enquanto a Comissão de Direitos Humanos denunciou duas mortes. Fox negou o envolvimento das forças policiais nessas mortes, e convidou as ONGs interessadas e as Nações Unidas a enviarem representantes a Oaxaca para investigar os fatos. "Se houver uma única violação dos direitos humanos, imediatamente agiremos e resolveremos", disse o presidente, que ordenou no sábado o envio das tropas após um dia de violência no qual morreram quatro pessoas, entre elas um jornalista americano. Segundo o presidente, o conflito de Oaxaca, protagonizado por professores e por uma heterogênea plataforma civil chamada Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO), "está duro, mas não dá para dizer que existe instabilidade no país inteiro". Passeata A Cidade do México viveu na noite de terça-feira um caos no trânsito devido à manifestação de professores e integrantes da APPO, que foram em passeata à residência oficial do presidente, Vicente Fox. Por volta das 16h (15h de Brasília), a passeata percorreu a emblemática avenida Reforma e quatro horas mais tarde estava a algumas quadras da Residência presidencial. Cerca de 2 mil pessoas se reuniram num comício na avenida Chivatito, depois de agentes da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSPDF) instalarem cercas metálicas para impedir seu avanço. Oaxaca no Brasil Cerca de 50 jovens brasileiros protestaram nesta quarta-feira em frente à sede do consulado do México no Rio de Janeiro para pedir "o fim imediato da repressão" em Oaxaca e alguns deles foram agredidos por policiais militares, segundo testemunhas. O protesto começou por volta de meio-dia em frente ao edifício na Praia de Botafogo onde também estão os consulados de Paraguai, Uruguai, Holanda, Polônia e Venezuela. "Ao se sentir ameaçado, o cônsul do México pediu a presença da Polícia militar", disse o major Sérgio Mendes, enquanto tentava acalmar os ânimos dos manifestantes, a maioria deles estudantes universitários. Os efetivos policiais bateram em alguns jovens com cassetetes e lançaram gás de pimenta, mas ninguém foi detido. O protesto foi organizado pela chamada "Rede Ação Global dos Povos", cujos militantes distribuíram panfletos, colocaram cartazes em frente ao edifício, picharam a calçada, jogaram tinta vermelha nas grades do portão de entrada e queimaram pneus. "A manifestação era pacífica, até que chegaram os policiais de forma arbitrária, batendo na gente", disse Juliana Silva, uma estudante.

Agencia Estado,

01 Novembro 2006 | 20h42

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