Fracassa acordo sobre escudo de defesa antimíssil

A Otan e a Rússia anunciaram ontem que fracassaram na tentativa de um acordo para cooperar em um sistema de defesa antimíssil dos EUA que seria instalado na Europa. O anúncio foi feito pelo secretário-geral da aliança atlântica, Anders Fogh Rasmussen, após reunião entre ministros das Relações Exteriores da Otan e o chanceler russo, Sergei Lavrov, em Bruxelas. "Não é segredo que ainda temos diferenças sobre como organizar nossa cooperação na área", disse Rasmussen.

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2011 | 03h06

Ontem, a Otan e os EUA voltaram a dizer que prosseguirão com o desenvolvimento de seu escudo antimísseis e não aceitarão a oposição de Moscou. "Nenhum aliado dentro da Otan dará a nenhum país de fora da aliança o direito de veto", disse a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. "Não se trata da Rússia, trata-se do Irã e de outros Estados que estão desenvolvendo novas tecnologias de mísseis."

Guerra Fria. O projeto de construir um escudo antimíssil na Europa é da época do então presidente George W. Bush. A ideia seria instalar um sistema de radares na República Checa e dez interceptadores na Polônia para proteger países aliados de eventuais ataques de mísseis iranianos.

No início de seu mandato, o presidente Barack Obama fez algumas modificações no projeto de Bush, anunciou que o sistema usaria interceptadores de curto alcance, que seriam modernizados gradativamente.

Apesar de ter elogiado a decisão, Moscou sugeriu recentemente que os novos interceptadores também ameaçavam seus mísseis. O Kremlin afirma que projeto dos EUA altera o equilíbrio de poder estabelecido durante a Guerra Fria. Para o premiê russo, Vladimir Putin, o sistema pode servir para espionar a Rússia e obriga o país a desenvolver novas armas ofensivas.

Segundo analistas, o impasse mostra o desconforto que os russos ainda sentem com a ideia de ter um escudo antimíssil americano a poucos quilômetros de seu território.

Ontem, Rasmussen garantiu novamente que o escudo antimíssil não tem a Rússia como alvo. "Destaquei repetidamente que o sistema de defesa da Otan não será usado contra os russos. Não consideramos a Rússia uma inimiga, mas uma parceira", afirmou. / REUTERS e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.