Fracassa tentativa da ONU de acordo para a Somália

O Conselho de Segurança da ONU fracassou, pela segunda vez, na tentativa de chegar a um acordo sobre uma declaração pedindo a retirada das forças da Etiópia e de outras forças estrangeiras da Somália.O conselho se reuniu nesta quarta-feira com o objetivo de buscar um cessar-fogo e a retomada das negociações de paz entre as forças etíopes, que apóiam o governo interino da Somália, e os milicianos da União das Cortes Islâmicas (UCI), que há seis meses controlam boa parte do país, inclusive a capital, Mogadíscio.O delegado do Catar, Mutlaq al-Qahtani, afirmou que não houve consenso sobre o pedido de uma retirada imediata e do fim das operações militares na Somália.O embaixador em exercício dos Estados Unidos, Alejandro Wolff, considerou o fracasso "lamentável" e disse que o Catar estava sozinho na posição de insistir que todas as forças estrangeiras se retirassem imediatamente da Somália.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que os vizinhos da Somália deveriam respeitar suas fronteiras e "permanecer fora da crise".A União Africana e a Liga Árabe também já haviam apelado para que a Etiópia se retirasse do território somali.O Conselho de Segurança da ONU permanece dividido em relação à permanência de tropas estrangeiras no país.O Catar quer uma resolução que peça a retirada imediata de todas as tropas estrangeiras, inclusive as da Etiópia.Outros membros do Conselho de Segurança, incluindo os Estados Unidos, defendem a intervenção da Etiópia, dizendo que ela está no país a convite do governo interino.OfensivaA ofensiva militar da Etiópia na Somália começou no fim de semana.Nesta quarta-feira, os soldados que apóiam o governo interino somali tomaram a cidade de Jowhar, que estava sob controle das milícias islâmicas e fica a 90 km de Mogadíscio.Nas últimas horas, as forças da Somália e da Etiópia teriam avançado ainda mais rumo a Mogadíscio, que é controlada pela UCI. Há informações de que estariam a cerca de 30 km da capital.O primeiro-ministro da Somália, Ali Mohammed Gedi, disse à BBC que a população de Mogadíscio receberia suas tropas com flores. Ele também afirmou que as tropas etíopes seriam mandadas para casa assim que o governo somali assumisse o controle de todo o país.Líderes das milícias islâmicas admitiram que tiveram que se retirar de várias cidades. Há informações de que eles se retiraram sem oferecer resistência ao avanço das forças leais ao governo.Os dois principais comandantes militares da UCI, o chefe de Defesa , Yusuf Indade, e seu vice, Abu Mansur - estão participando da tradicional peregrinação islâmica à cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita.No entanto, diplomatas quenianos afirmaram que alguns líderes islâmicos concordaram em participar de negociações nesta quinta-feira, em Nairóbi, com o objetivo de interromper os confrontos.Ambos os lados disseram ter causado mortes no lado adversário. A Cruz Vermelha disse que mais de 850 feridos estão em diferentes hospitais no país.O Programa de Alimentação da ONU suspendeu as entregas aéreas de alimentos no sul da Somália devido aos confrontos e agências humanitárias estão enfrentando dificuldades para chegar às pessoas afetadas por meses de seca seguidos de enchentes.O Alto Comissariado da ONU para Refugiados disse estar preocupado com as pessoas em fuga das áreas de combate e está preparando alojamentos ao longo da fronteira com o Quênia.

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