Fracassa tentativa de mudar sistema na Constituinte boliviana

Os partidos da oposição ao governo da Bolívia não conseguiram mudar o sistema de votação na Assembléia Constituinte. Eles se reuniram com o governista Movimento Ao Socialismo (MAS) na cidade de Sucre para tentar um acordo sobre o sistema.A presidente da Assembléia, Silvia Lazarte, já comunicou à oposição que as sessões recomeçam nesta quarta-feira e que não será reconsiderado o artigo 71, que estabelece o sistema de votação no regulamento interno do fórum.Nesse artigo, o MAS e alguns partidos aliados impõem o critério pelo qual o novo texto da Constituição boliviana deve ser aprovado por maioria simples (128) dos 255 integrantes da Assembléia.Os partidos rivais do Governo defendem a aprovação por dois terços (170) dos votos, como diz a lei de convocação da Constituinte.O chefe da União Nacional, Samuel Doria Medina, declarou àemissora Fides que a oposição "recebeu uma resposta muito dura", que se resumiu na rejeição ao pedido de reconsideração do artigo. Segundo ele, o MAS "se negou a toda possibilidade de diálogo".O líder da bancada do Movimento Nacionalista Revolucionário, Guillermo Richter, disse que com a decisão "a Assembléia funcionará ilegalmente". O seu partido não tomou ainda uma decisão sobre comparecer ou não às sessões.Mais de 2.600 pessoas em todo o país continuam em greve de fome exigindo o sistema de aprovação por dois terços. Governadores e líderes cívicos, sindicais e patronais dos departamentos de Tarija, Beni, Santa Cruz e Pando, reivindicam também respeito ao regime autônomo aprovado pelos habitantes dos seus distritos, num plebiscito, em 2 de julho.O presidente Morales afirma que, por trás do pedido de autonomia departamental, seus rivais escondem uma conspiração para derrubar o seu governo e para manter as suas vantagens, entre elas a propriedade sobre milhares de hectares de terras rurais.

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