Fracasso eleva temor de ensaio nuclear

Análise: William Wan / Washington Post

É CORRESPONDENTE NA ÁSIA, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2012 | 03h04

Após o fracasso da tentativa da Coreia do Norte de lançar um foguete capaz de alcançar a órbita, aumentou o temor de que o país possa tentar remediar o golpe sofrido no seu orgulho nacional com a realização de um teste nuclear.

Sob o novo líder Kim Jong-un, há algo que não mudou: a Coreia do Norte continua sendo um dos enigmas diplomáticos mais difíceis do mundo, capaz de fazer ameaças irresponsáveis que desestabilizam a região, mas também habilidosa em se tratando de obter promessas de auxílio em acordos de paz que são subsequentemente quebrados pelos próprios norte-coreanos.

"O fracasso do lançamento do míssil é fatal para a dinâmica política interna da Coreia do Norte", disse Yoon Young-kwan, ex-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul. "E isso deve levar o regime a adotar uma medida que possa compensar a situação de alguma maneira. Eles tentarão recuperar seu status nacional danificado com uma medida visível, como um teste nuclear".

Após a tentativa anterior de lançamento de um satélite por parte da Coreia do Norte, em abril de 2009, o Conselho de Segurança da ONU fez um pronunciamento condenando a operação e exigindo que Pyongyang não repetisse tais testes no futuro. Dias mais tarde, o país condenou o pronunciamento e abandonou as negociações que tinham como objetivo convencê-lo a abrir mão de seus armamentos. Em maio , a Coreia do Norte realizou seu segundo teste nuclear.

O governo americano não vai sugerir novas sanções. Em vez disso, vai pressionar por uma vigilância mais rigorosa do respeito aos termos das resoluções existentes. "Para o governo americano, o desafio é encontrar uma resposta no tom certo", disse Scott Snyder, analista do Conselho das Relações Exteriores.

Uma das formas de retaliação debatidas em caráter privado entre os representantes americanos é a intensificação dos exercícios militares "Sempre que os EUA e os sul-coreanos se envolvem em exercícios, o Norte se vê obrigado a reagir, coisa que impõe uma pressão financeira ao regime", disse Evans Revere,

A realização de exercícios conjuntos pode também levar mais pressão aos chineses, que poderiam dissuadir os norte-coreanos da ideia de novas provocações. Pequim não gosta de treinamentos militares americanos tão perto de suas praias. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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