Fracasso em acordo de transição intensifica confrontos no Iêmen

Forças policiais do Iêmen trocaram tiros na segunda-feira com oponentes do presidente do país, Ali Abdullah Saleh, um dia depois de o líder ter desistido do acordo para a sua renúncia.

MOHAMED SUDAM E MOHAMMED GHOBARI, REUTERS

23 de maio de 2011 | 16h59

Os confrontos em Sanaa diminuíram ainda mais as possibilidades de uma solução política para a crise que já dura três meses. As manifestações lideradas por jovens do país, com inspiração na onda de protestos que derrubaram os líderes do Egito e Tunísia, buscam encerrar o governo de 33 anos de Saleh.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita, que foram alvos de ataques frustrados por uma ala forte da Al Qaeda sediada no Iêmen, estão ansiosos para encerrar o impasse iemenita e evitar a anarquia no governo que pode dar mais espaço para a rede militante global para operar.

"Houve violenta troca de tiros e confrontos entre as forças do governo e os guardas do Sheikh (Sadiq) Al-Ahmar", disse uma testemunha, se referindo ao poderoso líder tribal que está do lado dos manifestantes.

Uma pessoa foi morta e 15 ficaram feridas, entre elas um repórter da agência de notícias estatal Saba, de acordo com testemunhas.

A televisão pró-oposição Suhail disse que cinco dos guardas de Ahmar foram mortos e 35 feridos. A informação não pôde ser verificada de maneira independente.

A troca de tiros, que destruiu janelas nos escritórios da Saba, acontece depois do fracasso no acordo de transição mediado pelos vizinhos do Golfo Pérsico, o qual Saleh deveria ter assinado no domingo e que lhe daria imunidade, garantindo uma saída digna.

A embaixada dos Estados Unidos fechou a sua seção consular por pelo menos dois dias por conta da "situação de segurança", disse em comunicado oficial.

O governo acusou os homens de Ahmar de atirar contra uma escola e contra o prédio da Saba. O escritório de Ahmar disse que as forças do governo abriram fogo quando foram proibidos de entrar em uma escola pelos seus guardas. O local estava sendo usado por partidários de Ahmar, segundo ele, para armazenar armas.

Ao sul da capital, homens armados ligados ao governo abriram fogo contra a sede do partido islâmico Islah, o maior membro da coalizão de oposição do Iêmen, na cidade de Ibb.

Saleh abandonou as tentativas de acordo anteriores que buscavam tirá-lo do poder, mas a desistência do último domingo pareceu estar entre as mais agressivas, acontecendo depois que forças leais ao governo encarceraram diplomatas árabes e de países ocidentais na embaixada dos Emirados Árabes Unidos por horas.

DESCULPAS

Saleh pediu desculpas aos Emirados Árabes na segunda-feira. Mas governos estrangeiros criticaram o mandatário por recusar o acordo.

"O presidente Saleh é o único que se recusa a fazer as suas declarações casarem com as suas ações", disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

"Pedimos que ele conclua os seus repetidos compromissos para uma transferência de poder pacífica e ordenada, garantindo que a vontade legítima dos iemenitas seja atendida. O tempo para ação é agora", acrescentou.

Uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores do Iêmen rejeitou as críticas de Hillary e respondeu: "É um problema interno do Iêmen e o Iêmen não aceita soluções estrangeiras impostas ou interferência nos nossos assuntos internos", disse no site do partido da situação.

(Reportagem adicional de Sara Anabtawy, Erika Solomon e Cynthia Johnston, em Dubai)

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