Fracasso pode ensinar Pyongyang

Tecnologia norte-coreana serviu de modelo para lançamentos iranianos, mas parece ter problemas para obter qualidade

, É JORNALISTA , WILLIAM , BROAD, THE NEW YORK TIMES , , É JORNALISTA , WILLIAM , BROAD, THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h02

Os desastres são um elemento comum na ciência dos foguetes, como demonstrado pela experiência dos americanos com seu programa Vanguard. Aquele fino foguete deveria lançar o primeiro satélite americano até a órbita do planeta. Mas, desde 1957, sete testes estáticos dos seus motores apresentaram problemas. A pressão aumentou quando Moscou conseguiu levar um satélite à órbita em outubro daquele ano.

Os repórteres foram ao Cabo Canaveral, Flórida. No dia 6 de dezembro, a contagem regressiva chegou ao zero e o Vanguard começou a subir da área de lançamento. O foguete alcançou pouco mais de um metro antes de voltar ao chão como uma bola de fogo e fumaça.

O satélite transportado pelo Vanguard foi arremessado para fora e "caiu no chão perto de nós, fazendo seus inocentes ruídos eletrônicos", de acordo com The Heavens and the Earth (algo como Os céus e a Terra), uma história dos primórdios do programa espacial americano. No início do ano seguinte, os EUA conseguiram lançar um satélite usando um foguete diferente e, menos de três meses mais tarde, conseguiram também lançar um Vanguard com sucesso.

Se os EUA foram capazes de aprender com os erros e fracassos, talvez a Coreia do Norte também possa. O país precisa avançar depois de 14 anos de fracassos no desenvolvimento de foguetes poderosos o bastante para transportar um satélite - especialmente quando a liderança norte-coreana, sempre envolta em grande dose de mistério, induz a empobrecida população do país a expectativas grandiosas.

Em entrevistas, especialistas aeroespaciais disseram que grandes fracassos são uma parte comum dos programas de foguetes, podendo produzir informações cruciais para os engenheiros que tentam identificar os problemas e aperfeiçoar os modelos.

"Estamos falando de algo bem complicado de se fazer", disse David C. Wright, importante cientista do Union of Concerned Scientists, grupo particular de Cambridge, Massachusetts. Wright destacou que a Coreia do Sul teve dois fracassos recentes no lançamento de um satélite, primeiro no dia 25 de agosto de 2009 e depois em 10 de junho de 2010. "Basicamente, trata-se de uma tarefa complicadíssima", observou ele.

Entretanto, o fracasso da Coreia do Norte deixou alguns especialistas perplexos. De acordo com eles, o Irã - que se aproveitou da experiência norte-coreana para desenvolver suas próprias famílias de foguetes grandes e pequenos - tem obtido resultados melhores do que seu mentor. Teerã pôs seu primeiro satélite em órbita em 2009, juntando-se ao seleto grupo de países que usaram sua própria tecnologia para levar objetos à órbita.

Wright sugere que talvez a Coreia do Norte esteja enfrentando problemas de controle de qualidade. "A planta técnica do projeto deles parece sólida", disse ele. "Mas aspectos mais mundanos podem interferir no desempenho, como a soldagem. Pode ser difícil montar todas as partes de um foguete." / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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