FRAGATA RETIDA CONSTRANGE CRISTINA

Chefe da Marinha argentina renunciou ontem

O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2012 | 08h20

A fragata Libertad, o histórico navio-escola argentino, emblema da Marinha do país, completa hoje duas semanas de retenção no porto de Tema, em Gana, sobre o Golfo da Guiné, a pedido de um fundo de investimentos dos EUA, o NML, que tem títulos da dívida pública argentina em estado de calote desde dezembro de 2001.

Em Buenos Aires, a inédita retenção do navio por uma dívida de uma década causou uma série de brigas internas no governo da presidente Cristina Kirchner. Nenhum ministério quer assumir a responsabilidade de ter deixado o navio ancorar em um porto onde corria o risco de ser detido por ordem da Justiça. Diversos jornais definiram o caso da retenção ordenada pela Justiça ganesa de "vexame internacional". Ontem, o impasse provocou a renúncia do chefe da Marinha argentina, almirante Carlos Alberto Paz.

O jornal Página 12, virtual porta-voz de alguns setores do governo Kirchner, defendeu o chanceler Hector Timerman e acusou o ministro da Defesa, Antonio Puricelli, de ter modificado a rota original do navio, levando a fragata a um país onde a Argentina não estava juridicamente protegida. O secretário-geral da Marinha, Alfredo Blanco, sustenta que a mudança foi uma decisão "interministerial". Segundo o jornal Clarín, na semana passada os oficiais da fragata planejaram uma ousada fuga de Gana. O problema seria como sair do porto, que tem traiçoeiros bancos de areia.

No navio, com 103 metros de comprimento, construído em 1953, tempos da presidência de Juan Domingo Perón, 289 tripulantes argentinos aguardam. Além deles, estão 36 marinheiros uruguaios e chilenos, convidados especiais.

Em sua breve presidência (uma semana) em dezembro de 2001, Adolfo Rodríguez Saá decretou o calote da dívida pública com os credores privados. Em 2005, o então presidente Nestor Kirchner fez uma reestruturação da dívida. Quase 25% dos credores não aceitaram a troca de bônus e tentaram confiscar ativos argentinos no exterior - até mesmo o Tango 1, o avião presidencial - sem sucesso. O NML integra o Fundo de Investimentos Elliott Management Corp, que exige o pagamento de US$ 300 milhões. Para liberar a fragata, quer US$ 20 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.