França acusa Ruanda de recomeçar combates no Congo

A França acusou Ruanda, na ONU, de ter recomeçado os combates no leste da República Democrática do Congo, para onde enviou sete batalhões - cerca de 10.000 soldados -, retomando a guerra civil que perdura há mais de três anos.No entanto, o regime ruandês, em Kigali, desmentiu ter lançado uma ofensiva, ressaltando que, se há combates naquela região, Ruanda "nada tem a ver com o assunto", pois as suas tropas estão longe de Moliro, junto à fronteira com a Zâmbia.Na sede das Nações Unidas, em Nova York, o embaixador francês Jean-David Levitte adiantou que os combates na região de Moliro, na província do Katanga, "são particularmente sérios". "Tudo indica que sete batalhões, cerca de 10.000 homens, estão evolvidos numa ação ofensiva. É uma séria retomada da guerra", acrescentou o diplomata francês.Na última quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU apelou para o fim dos combates no Congo, pouco depois de a delegação de Kinshasa às conversações de paz que acontecem na luxuosa estância turística sul-africana de Sun City, ter abandonado as discussões, alegando a retomada dos combates e acusando Ruanda de os incentivar.O Conselho de Segurança também pediu às partes para resolver suas divergências através das negociações de Sun City. A ofensiva, segundo Levitte, está sendo concretizada com o apoio do grupo rebelde União Congolesa para a Democracia (RCD) a partir de Pepa, próximo de Moliro, e também através do lago Tanganica, a cerca de 600 quilômetros da fronteira com Ruanda.O embaixador francês adiantou que o Conselho de Segurança da ONU vai se reunir na próxima terça-feira para analisar os últimos desenvolvimentos no Congo, "ou seja, a ofensiva militar de Ruanda".Em Kigali, o chefe das operações militares do Exército Patriótico Ruandês (APR), coronel Karenzi Karake, negou o envolvimento de tropas ruandesas no conflito. "Não fomos informados da existência de combates em Moliro. Se for esse o caso, não temos nada a ver com essa questão, pois as nossas tropas não estão lá e não estamos envolvidos em nenhum confronto", afirmou Karake, sem mais comentários.

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