França admite 'graves erros' no genocídio da Ruanda em 1994

Sarkozy classificou o massacre como 'inaceitável' e pediu que os culpados pelo episódio sejam 'castigados'

estadao.com.br,

25 de fevereiro de 2010 | 10h53

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, reconheceu nesta quinta-feira, 25, em Kigali, "graves erros" de seu país e da comunidade internacional durante o genocídio de 1994 na Ruanda. O mandatário francês ainda disse que quer ver os responsáveis pelo massacre "castigados", segundo informações da agência AFP.

 

As declarações de Sarkozy foram dadas durante uma coletiva de imprensa ao lado do presidente ruandês, Paul Kagame. "O que aconteceu aqui é inaceitável, mas isso obriga a comunidade internacional a refletir sobre seus erros que impediram uma intervenção para deter esse crime espantoso", disse o presidente.

 

Entre esses erros, Sarkozy citou "graves falhas de visão, uma forma de cegueira quando não vimos a dimensão genocida do governo do presidente que foi assassinado" e "erros na operação Turquesa, empreendida muito tarde". Essa operação foi lançada pelo Exército francês em junho de 1994, três meses depois do massacre.

 

O presidente francês pediu também que os culpados pelo genocídio"sejam encontrados e castigados". "Não há nenhuma ambiguidade. Falei ao presidente Kagame que os que fizeram isso, onde quer que estejam, devem ser encontrados e castigados", afirmou Sarkozy.

 

Desde o genocídio de 1994, o regime de Paul Kagame acusou a França de cumplicidade por ter apoiado seu antecessor, Juvenal Habyarimana, o que o governo de Paris nega. A morte de Habyarimana em um atentado deu início a um genocídio que deixou cerca de 800 mil mortos, sendo a grande maioria da etnia tutsi.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.