França ameaça expulsar radicais islâmicos

Segundo ministro do Interior, alvo de medida são muçulmanos que ameacem ordem pública, leis e valores da república

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h09

No que depender do Ministério do Interior francês, extremistas muçulmanos que representem risco à segurança nacional serão expulsos do país. A advertência foi feita ontem pelo ministro Manuel Valls durante inauguração de uma mesquita na cidade de Estrasburgo, na fronteira com a Alemanha. Para o governo socialista, o alvo serão os radicais que, "em nome do Islã, representam uma ameaça grave para a ordem pública" e "não respeitam leis e valores" da república.

As advertências foram endereçadas aos líderes da comunidade muçulmana da França, entre os 1,5 mil convidados para a inauguração da mesquita. Para Valls, o extremismo não será admitido em território francês. "As melhores armas para lutar contra o fanatismo que se diz islâmico se encontram no próprio Islã", disse o ministro. "Toda religião tem sua parte de integrismo, hoje é o Islã que suscita o medo."

Por essas razões, Valls advertiu que a polícia vai perseguir os radicais violentos. "Não hesitarei em expulsar os que, estrangeiros em nosso país, não respeitam nossas leis e nossos valores", declarou o ministro, enviando um recado a um movimento sunita em especial. "Não aceitaremos comportamentos de salafistas e outros grupos que desafiam a república."

Laicismo. Além de criticar e advertir os muçulmanos da França, Manuel Valls também os elogiou. Depois da polêmica levantada pela líder da extrema direita, Marine Le Pen, que no início da semana sugeriu a proibição de véus islâmicos e da quipá em público, o ministro afirmou que o Estado laico garante a liberdade religiosa de cada um.

As advertências e recomendações de Valls à comunidade muçulmana foram feitas uma semana depois que o semanário Charlie Hebdo publicou charges ilustrando o profeta Maomé em situações degradantes.

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