REUTERS/Philippe Wojazer
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França amplia estado de emergência para 3 meses

Presidente Hollande anuncia ao Parlamento plano de reforma constitucional para combater o terrorismo

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2015 | 23h25

O governo da França anunciou nesta segunda-feira a extensão do prazo de duração do estado de emergência – o decreto que põe o país em regime de exceção – ampliando os poderes da Justiça e da polícia no combate ao terrorismo. Além disso, a Constituição será reformada nos próximos 90 dias para tornar permanentes alguns dos instrumentos considerados essenciais para enfrentar a ameaça, enquadrando os regimes de exceção de urgência e de sítio.

Em discurso ao Parlamento no Palácio de Versalhes, o presidente François Hollande também exortou os Estados Unidos e a Rússia à formarem uma única coalizão internacional para atuar na Síria. O chefe de Estado anunciou que convocará uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para debater uma resolução sobre o tema.

As medidas foram anunciadas depois que ficou constatado que todos os cinco terroristas identificados até o momento pelos atentados de Paris passaram por campos de treinamento e doutrinação na Síria, em áreas ocupadas pelo grupo jihadista Estado Islâmico. 

Especialistas em extremismo islâmico como Jean-Pierre Filiu, professor de História do Oriente Médio do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po), estimam em 700 o número de franceses ativos neste momento ao lado do Estado Islâmico na Síria, em um universo de cerca de 5 mil europeus.

Alerta. Hollande discursou por cerca de 45 minutos a deputados e senadores. Segundo ele, a comunidade internacional precisa se reunir em uma única operação conjunta para destruir o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. “Encontrarei nos próximos os presidentes Obama e Putin para unir forças e chegar a um resultado que por enquanto tarda demais”, afirmou.

Para o líder francês, os ataques terroristas de 13 de novembro, que deixaram 129 mortos em Paris, são um ato de guerra. Em resposta, a França vai triplicar nos próximos dias sua capacidade de bombardeio sobre o grupo terrorista, que apontou como o inimigo na Síria.

Hollande deixou claro ainda sua disposição em falar com todos, citando Irã, Turquia e países do Golfo, com o objetivo de derrotar o grupo terrorista. “Nosso inimigo na Síria é Daesh”, ressaltou, usando a sigla árabe do EI, sem mencionar o líder sírio Bashar Assad, de quem a França defendia a saída do poder. “Não se trata de conter, mas de destruir essa organização.”


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