França amplia orçamento da Defesa em 6 bilhões

Objetivo é combater a ameaça de células terroristas; redução do efetivo das ForçasArmadas será menor

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2015 | 02h03

Ameaçada pelos grupos terroristas Estado Islâmico e Al-Qaeda, a França ampliará em € 6 bilhões o orçamento do Ministério da Defesa para fazer frente ao risco de atentados e manter sua força de intervenções exterior. O anúncio foi feito pelo presidente François Hollande ontem, em Paris, e obrigará o governo a fazer novos cortes equivalentes em outras áreas.

Do valor total, € 3,8 bilhões serão alocados apenas para o combate ao terrorismo até 2019. O objetivo é manter ativos os 7 mil homens dos contingentes mobilizados em urgência desde 7 de janeiro, após o atentado à revista Charlie Hebdo, que contribuem para a segurança interna fazendo patrulhamento de locais de culto, escolas, transportes e pontos turísticos na chamada Operação Sentinela. Serão poupadas 18,5 mil das 34,5 mil vagas que seriam extintas até 2019 nas Forças Armadas.

Hollande prometeu ainda que todos os € 31,4 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa para 2015 serão de fato empenhados e usados, sem contingenciamentos. "O Ministério da Defesa está certo de que poderá usar todos seus créditos", afirmou o chefe de Estado, que disse estar tirando as lições dos atentados de Paris em 7, 8 e 9 de janeiro, que deixaram 17 mortos, além dos 3 terroristas.

O objetivo do governo ao reforçar o caixa da Defesa é ampliar os recursos do ministério para setores como ciberdefesa, espionagem e Aeronáutica, em especial com a aquisição de aviões não tripulados (drones).

Apesar da injeção de investimentos, o valor ainda fica abaixo do que era requisitado pelo Ministério da Defesa - um total de € 8 bilhões. A diferença foi mantida para que a meta de chegar ao máximo de 3% de déficit público por ano até 2017 seja cumprida. O objetivo foi fixado em compromisso com a União Europeia, e não respeitá-lo poderia resultar em sanções de Bruxelas contra as finanças francesas.

O aumento extraordinário do orçamento militar rompe com anos de redução nas despesas na área, uma tendência também verificada nos EUA, na Grã-Bretanha e na Alemanha. Segundo dados do jornal Le Monde, a queda na França chegou a 20% em 25 anos. Até o anúncio de ontem, o Palácio do Eliseu previa investir 2,20% do PIB em gastos militares - o segundo maior porcentual entre todos os ministérios, perdendo apenas para a educação, que em 2015 terá um total de € 47,4 bilhões em investimentos. O patamar é o mesmo dos britânicos, um pouco superior ao da China (2,06%).

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