Muzaffar Salman/AP
Muzaffar Salman/AP

França amplia pressão por criação de corredores humanitários na Síria

Chanceler, porém, exclui a hipótese de intervenção militar sem o aval do Conselho de Segurança da ONU

Andrei Netto, correspondente

24 de novembro de 2011 | 22h10

PARIS - O governo da França intensificou na quinta-feira, 24, a pressão pela criação de um "corredor humanitário" para socorrer civis sitiados pelas Forças Armadas no interior da Síria. A proposta foi reiterada pelo chanceler, Alain Juppé, que na quarta-feira havia defendido a criação de "zonas seguras para proteção de civis". Ontem, a Liga Árabe deu um ultimato de um dia para que o regime ao menos permita a entrada de observadores internacionais.

 

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As chances de acordo com o regime de Bashar Assad, reconhece a diplomacia de Paris, são pequenas. Juppé vem discutindo a hipótese da criação dos corredores com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e com membros do recém-formado Conselho Nacional Sírio (CNS), órgão que reagrupa os líderes da rebelião no exílio e no país. No entanto, até agora só a França se manifestou em público pela medida.

 

De acordo com o chanceler, o conflito político na Síria já causa uma crise humana, em especial na cidade de Homs, epicentro da resistência. "Há duas configurações possíveis: a primeira é que a comunidade internacional, as Nações Unidas e a Liga Árabe possam obter do regime uma autorização para os corredores humanitários", disse Juppé, em entrevista à rádio France Inter.

 

Essa opção incluiria o envio de uma missão do Comitê da Cruz Vermelha e outras ONGs a para as cidades onde a situação é mais crítica. "Não é completamente absurdo. Eu não quero ser derrotado antes de iniciar a luta para que o regime sírio se deixe convencer para que os corredores humanitários, sob a proteção não armada de observadores internacionais, possam penetrar no território sírio", defendeu-se Juppé.

 

A segunda possibilidade seria a de um escudo militar para o envio de ajuda. O chanceler voltou a descartar a hipótese de uma intervenção militar no conflito interno sírio, a exemplo da operação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia, mas não no apoio operacional para viabilizar os corredores. "Sem acordo, será necessário buscar outras soluções. É possível proteger os comboios humanitários, mas não chegamos lá ainda", disse. "Naturalmente não há intervenção militar possível, ainda que seja humanitária, sem um mandato internacional." No jargão diplomático, "mandato internacional" significa o aval da ONU.

 

Apesar de negar todo plano de intervenção militar na Síria, países líderes da Otan - como EUA, Grã-Bretanha e França - estariam operando por meio de seus serviços secretos nas imediações da Síria. Na Turquia, os rumores sobre a ação de agentes secretos ocidentais em favor do Exército Sírio Livre, formado por militares desertores, aumentam a cada dia. Até pela tensão militar crescente, a chance de que Assad aceite a instalação de corredores é tida na Europa como mínima.

 

Mesmo pressionado pela comunidade internacional em razão das 3.500 mortes causadas pela repressão, o regime de Assad não aceitou nem mesmo uma proposta da Liga Árabe que previa o envio ao país de 500 observadores. Ontem, após reunião em Cairo, no Egito, a Liga Árabe deu um ultimato ao país, oferecendo um dia a Assad. As recusas sucessivas do governo em permitir a inspeção internacional contam com o apoio tácito da Rússia e da China, que vetaram no Conselho de Segurança uma resolução que recriminaria a violência contra os manifestantes na Síria. No início da semana, Moscou enviou navios de guerra à base síria de Tartous - em um sinal indireto de oposição ao Ocidente.

 

Com informações das agências AFP e Reuters 

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