França anuncia luta dura contra o racismo

O presidente da França, Jacques Chirac, decidiu assumir a luta contra o racismo e o anti-semitismo na França, diante do grande número de manifestações de intolerância, principalmente na região da Alsácia. Nessa área, iniciativas de grupos neonazistas se multiplicam, com numerosos ataques a cemitérios israelitas e muçulmanos. Ontem, falando em Chambon-sur-Lignon, o presidente alertou os franceses para mais "vigilância" e se dispôs a manter-se na primeira linha da luta contra "atos de ódio que só contribuem para macular o país". Chirac se dispõe também "a fazer tudo para pôr fim a isso". As associações anti-racistas imediatamente lhe manifestaram apoio. Chirac escolheu Chambon-sur-Lignon, uma cidade na região da Ardeche, que se beneficia do título de "Justa", uma distinção atribuída por Israel aos que salvaram os judeus durante a guerra. Desde o início do ano as agressões racistas e anti-semitas aumentaram consideravelmente, contribuindo para alertar os franceses que até então subestimavam esse fato. Segundo a Comissão Nacional dos Direitos do Homem, 72% das manifestações racistas são de caráter anti-semita, vindo, em segundo lugar o racismo antiárabe. Na maior parte das vezes, as investigações para identificar os autores de tais atos são abandonadas, prevalecendo uma certa impunidade. O discurso de Chambon-sur-Lignon constitui um aviso claro para as autoridades de que terão de adotar uma posição bem mais rígida para punir os responsáveis. O problema é que cada vez mais esses atos são praticados por jovens, incluindo menores de idade, estimulados pelos mais velhos, aproveitando as dificuldades para a aplicação da lei. O segundo grupo social discriminado é o constituído pelos imigrantes árabes. Pesquisas indicam que 40% dos franceses acham que existem muitos muçulmanos no país. Os locais visados por grupos de extrema direita e neonazistas são as mesquitas ou casas de orações freqüentadas pelos imigrantes muçulmanos, mas também os cemitérios dessa comunidade.

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