AP Photo/Michael Probst
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França aumenta segurança nos trens em razão de ameaças terroristas

Mais de 3 mil policiais patrulham o interior dos trens durante festas de Natal; EUA emitiram nota alertando que cidadãos devem considerar o risco de viajar para Egito e Jordânia e evitar regiões onde ameaça é maior

O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2016 | 10h54

PARIS - Cerca de 3 mil policiais estão patrulhando durante as festas do Natal o interior dos trens na França, especialmente os de alta velocidade e os regionais de Paris, em razão da ameaça jihadista. Os detalhes do dispositivo foram revelados à rádio Franceinfo pelo secretário-geral da companhia ferroviária francesa SNCF encarregado da segurança, Stéphane Volant, que disse que o sistema já está funcionando há semanas.

Segundo ele, os policiais destacados dentro dos trens têm prerrogativas especiais, como revistar as malas, e estão apoiados por cachorros detectores de explosivos e armas.

A preocupação com a segurança nos trens aumentou desde que a imprensa francesa afirmou que o tunisiano Anis Amri, suposto autor do atentado com um caminhão a uma feira natalina no centro de Berlim na segunda-feira, pode ter viajado pela França em sua fuga antes de ser morto em Milão na madrugada de sexta-feira.

A França, país europeu mais castigado pelo terrorismo nos últimos dois anos, mobiliza nos dias 24 e 25 de dezembro ao menos 91 mil soldados entre membros da Polícia, Gendarmaria (força militar) e Exército para prevenir ataques, confirmou o ministro francês do Interior, Bruno Le Roux.

Ele também disse que o Ministério Público investiga a rota que o tunisiano pode ter usado e pediu "prudência" perante as informações que apontam que o suposto terrorista viajou de trem pela França durante sua fuga de Berlim.

Como consequência desse ataque, no qual morreram 12 pessoas, os controles fronteiriços na França começaram a ser reforçados desde a tarde de sexta-feira, ressaltou o ministro, que revelou que em 2016 foram desativados 77 projetos de atentados no país.

A extrema-direita aproveitou uma suposta estadia de Amri na França para criticar o governo socialista e pedir o restabelecimento das fronteiras.

Alerta. Os EUA emitiram na sexta-feira alertas de viagem para Egito e Jordânia em razão do risco de ataques terroristas contra turistas. O Departamento de Estado advertiu os cidadãos americanos que devem considerar os riscos de viajar para esses países e evitar certas regiões onde a ameaça é maior.

No Egito, a delegação diplomática dos EUA proíbe seus funcionários de viajarem ao deserto ocidental e à Península do Sinai fora do centro turístico de praia de Sharm el-Sheikh, e, portanto, os cidadãos americanos "devem também evitar estas áreas".

Além disso, os diplomatas americanos só podem viajar para Sharm el-Sheikh de avião, já que o transporte terrestre de pessoas não é permitido em nenhum lugar da península. "O governo egípcio mantém uma forte presença de segurança nos principais lugares turísticos, como Sharm el-Sheikh, e em muitos dos templos e lugares arqueológicos localizados dentro e ao redor do Cairo e do Vale do Nilo. As pessoas podem viajar para estas áreas", indicou o alerta americano. Mas adverte que “os ataques terroristas podem ocorrer em qualquer lugar do país".

O alerta explica que há várias organizações extremistas operando no Egito, entre elas o jihadista Estado Islâmico (EI).

Os EUA também advertiram seus cidadãos sobre viajar para a Jordânia, onde também operam organizações terroristas. "O papel proeminente da Jordânia na coalizão contra o Estado Islâmico e suas fronteiras compartilhadas com Iraque e Síria aumentam o potencial para futuros incidentes terroristas", diz a nota. / EFE

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