C. Hartmann / REUTERS
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França busca apoio para resolução de conflito entre israelenses e palestinos

Paris promove encontro entre o secretário-geral da Liga Árabe, ministros palestinos e egípcios e o ex-presidente de Israel, Shimon Peres

O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2014 | 18h29

Em uma tentativa de angariar apoio para um plano de paz que criaria um Estado Palestino no prazo de dois anos, a França organizou nesta terça-feira, 16, um encontro entre o secretário-geral da Liga Árabe, ministros palestinos e egípcios e o ex-presidente de Israel, Shimon Peres.

A reunião ocorre no momento em que a França procura apoiadores para uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que poderia ser a catalisadora das conversas de paz. Os franceses, liderados pelo ministro de Relações Exteriores Laurent Fabius, acreditam que este rascunho é mais palatável que a resolução apoiada pela Jordânia, também em discussão.

Países europeus, frustrados por décadas de negociações de paz inconclusivas, pressionam pelo reconhecimento do Estado Palestino. Entretanto, não existe consenso sobre a ideia de se estabelecer 2016 como o prazo para que isso aconteça. A Alemanha é um dos países que mais reluta em apoiar uma data limite.

O ex-presidente israelense Shimon Peres defende que as negociações comecem antes do estabelecimento de um prazo. Ele também alega que este não é um bom momento para qualquer ação mais decisiva nesta discussão, uma vez que Israel está no meio do processo eleitoral. "Há uma necessidade e um momento para o Estado Palestino", afirmou Peres. "Acredito que seria melhor chegar a ele através do acordo e não de uma imposição."

Fabius discutiu na segunda-feira o plano com o secretário de Estado americano, John Kerry. Diplomatas franceses afirmaram que os Estados Unidos se opõem ao plano da França, mas acreditam que podem trabalhar em uma solução que agrade aos americanos.

Kerry não informou a posição americana sobre a sugestão para que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) defina um cronograma de negociações, mas reforçou a oposição do país a qualquer esforço para prejudicar o processo eleitoral de Israel. Ele enfatizou a importância das nações evitarem tudo o que interfere ou "pode ser percebido como uma interferência" nas eleições israelenses previstas para março.

As prioridades, de acordo com Kerry, devem ser o fim da crescente violência entre israelenses e palestinos e a criação de condições para uma eventual retomada de negociações de paz. "No final, contudo, isso não cabe à comunidade internacional", afirmou Kerry. "Isso tem de ser decidido pelas partes." 

A França, que enfrenta uma onda de sentimento antissemita, também tem razões domésticas para trabalhar por essa causa. A violência no Oriente Médio costuma se traduzir em protestos na França, país que abriga uma das maiores comunidades muçulmanas e judias da Europa Ocidental. / AP

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