França captura líder da ETA

''Txeroki'' é chefe militar da organização separatista e suspeito de assassinatos

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 00h00

A polícia francesa prendeu ontem o chefe militar e um dos mais importantes líderes da organização separatista ETA (Pátria Basca e Liberdade, que luta pela independência do País Basco), Miguel de Garikoitz Aspiazu Rubina, de 35 anos. Apontado como o chefe dos comandos armados do grupo, ele foi preso no vilarejo de Cauterets, uma estação de esqui no lado francês dos Pirineus, numa ação conjunta com agentes espanhóis. Rubina (conhecido como Txeroki) também é suspeito do assassinatos de dois guardas civis espanhóis, em 2007. Agentes franceses da Subdireção de Terrorismo e da Direção-Geral de Informação Interna invadiram ontem às 3h30 um pequeno apartamento, no segundo andar de um edifício discreto de Cauterets, e encontraram Txeroki dormindo ao lado de uma mulher - cuja ligação com a ETA está sendo investigada. A polícia apreendeu duas armas, documentos falsos e um computador. Em Paris, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, saudou a prisão em um comunicado: "A detenção prova a excelente colaboração entre a França e a Espanha na luta contra o terrorismo basco." Na Espanha, o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero definiu a prisão de Txeroki como "uma operação determinante na luta contra a ETA". Segundo o ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, além de ser um dos três supostos responsáveis pelas mortes de dois guardas civis em 1º de dezembro de 2007, Txeroki seria o chefe militar dos comandos e representante da linha dura da organização. Ele também teria sido o mentor intelectual do atentado contra o Aeroporto Internacional Madrid-Barajas, que deixou dois mortos em 30 de dezembro de 2006. O ataque pôs fim aos 14 meses de negociações de paz entre a ETA e o governo de Zapatero. "Txeroki talvez seja hoje a pessoa mais importante da ETA. Ele tinha o controle do aparelho militar da organização, ou seja, era o líder de uma centena de militantes prontos para cometer atentados mortíferos, com bombas e carros-bomba", explicou ao Estado Jean Chalvidant, doutor em Civilização Espanhola e um dos maiores especialistas em ETA na França. Segundo Chalvidant, Txeroki era um homem de ação, o que lhe garantia o respeito de seus seguidores. "Ele era o recrutador, um dos treinadores e o organizador dos comandos terroristas." A detenção de Txeroki, soma-se à de Francisco Javier López Peña, o Thierry, outro dos líderes da organização, preso em maio em Bordeaux, na França. Desde o início da década, mais de 400 membros da ETA foram presos pelas polícias da França e Espanha. Atualmente, há 750 militantes detidos - o segundo maior número desde 1969, quando a Espanha, liderada pelo general Francisco Franco, teve 860 membros da ETA atrás das grades. "Jamais a ETA se mostrou tão enfraquecida. Mas ainda mantém uma forte capacidade de atrair militantes", disse Chalvidant.ATAQUE E CONTRA-ATAQUE12 de novembro - A polícia francesa prende dois supostos membros do grupo, Ugaitz Astiz e Joseba Mikel Olza, quando andavam de bicicleta na cidade de Tarascon-sur-Ariege5 de novembro - A ETA assume a autoria de dez atentados a bomba e diz que só encerrará os ataques quando os direitos dos bascos forem reconhecidos30 de outubro - Um carro-bomba atribuído ao grupo explode na Universidade de Navarra, norte da Espanha, ferindo 17 pessoas 21 de maio - o suposto comandante militar Francisco Javier López Pena, conhecido como ?Thierry?, é preso em Bordeaux, sudoeste da França7 de março - Isaías Carrasco, membro do Partido Socialista espanhol, é morto na cidade de Mondragón, Espanha, em ataque atribuído ao grupo14 de janeiro - o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, rejeita qualquer diálogo com a ETA e exige rendição unilateral

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.