França dará abrigo a 10,5 mil imigrantes ilegais

Objetivo é acomodar os que solicitam refúgio ou asilo político e começavam a acampar em cidades como Paris

Andrei Neto, CORRESPONDENTE / PARIS

17 de junho de 2015 | 19h47

Diante do aumento da pressão imigratória na Europa em 2015, o governo da França anunciou nesta quarta-feira que dará abrigo a 10,5 mil imigrantes que chegam ao país em situação ilegal. O objetivo é acomodar os que solicitam refúgio ou asilo político e começavam a acampar em cidades como Paris, sem destino ou residência fixa. No entanto, o projeto apresentado pelo Ministério do Interior não explica como o país vai enfrentar os 64 mil pedidos de asilo.

O projeto foi apresentado pelo ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, e prevê o aprimoramento da estrutura para abrigo dos estrangeiros que precisam de proteção política. Até 2016 serão criados 10,5 mil vagas em instituições de acolhimento, dos quais 5 mil para refugiados políticos que receberam a proteção internacional da França após solicitação formal. Além de um alojamento, os estrangeiros nessa situação receberão acompanhamento de assistentes sociais e psicólogos para ajudá-los na integração à sociedade.

Outros 500 postos serão criados no Centro de Acolhimento aos Asilados, além de mais 4 mil vagas em outras instituições também destinadas aos asilados políticos. O problema é que o projeto não responde a toda necessidade. Em 2014, 64 mil estrangeiros solicitaram asilo na França e menos da metade encontrou hospedagem e apoio nos centros de acolhimento temporário.

E o país também está longe de integrar o grupo dos que mais concedem asilo político na Europa. Apenas 22% dos pedidos são aceitos, enquanto na Alemanha o total chega a 42% e na Grã-Bretanha, a 39%. A média da União Europeia é de 45%.

A proposta do governo foi criticada por organizações não-governamentais de apoio aos imigrantes, que lembraram o tratamento violento por parte da polícia na desocupação de um acampamento instalado em La Chapelle, em Paris, em 28 de maio.

Além de não responder ao número de imigrantes que chegam ao país, o projeto foi alvo de reprimendas, pois vem acompanhado de medidas mais rígidas para os estrangeiros que não receberem status de asilados e refugiados. Nesse caso, apenas os que solicitarem visto por razões específicas, como acadêmicos, estudantes, profissionais expatriados e artistas reconhecidos serão aceitos. 

Imigrantes que cheguem à França por razões econômicas, em busca de emprego ou melhor moradia, serão identificados e repatriados. O Ministério do Interior anunciou que, para tanto, vai aprimorar os "dispositivos de preparação de retorno", que envolvem a concessão de passagens aéreas e de dinheiro em troca da garantia de que não retornarão.

Os procedimentos de retorno voluntário, como a estratégia é denominada, caíram 18,6% entre 2013 e 2014, enquanto as expulsões forçadas cresceram 13% na União Europeia, comparado a 2012.

Em entrevista ao jornal Le Monde, Cazeneuve justificou a necessidade de apertar o cerco à imigração ilegal pelo forte fluxo de estrangeiros que tentam entrar na Europa, que se acelerou em 2015. "Mais de 100 mil pessoas entraram no Espaço Schengen (área de livre circulação de pessoas) desde o início do ano, seja pela Itália ou pela Grécia", argumentou. "É um problema global que deve ter uma resposta europeia. E, contra suas consequências na França, uma resposta francesa."

Na segunda-feira, o governo francês intimou o da Itália para que pare de enviar imigrantes para a fronteira entre os dois países, onde um grupo de 200 estrangeiros protestou por quatro dias na cidade de Vintimille, junto à fronteira francesa. Em paralelo, França, Alemanha e Itália estão discutindo a política de cotas proposta pela União Europeia, em busca de um acordo sobre o tema – o que não aconteceu até agora.


Tudo o que sabemos sobre:
Françaimigraçãoabrigoilegais

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.