Bob Edme/AP
Bob Edme/AP

França debate infidelidade de espiões a Hollande

Serviço secreto, ligado a Sarkozy, é suspeito de dar pistas a revista sobre ‘caso’ de presidente; primeira-dama pode perder direitos

Andrei Netto, correspondente em Paris - O Estado de S. Paulo,

13 de janeiro de 2014 | 23h31

PARIS - A "denúncia" de infidelidade que lançou o presidente da França, François Hollande, em uma profunda crise política despertou curiosidade sobre a fonte e os interesses por trás de revelações como esta. Em Paris, reportagens sobre a vida do presidente levantam suspeita de que tais informações partam de serviços de inteligência interessados em prejudicar o chefe de Estado – e reforçar seu antecessor e virtual concorrente em 2017, Nicolas Sarkozy.

As "dúvidas" sobre a origem da informação da revista de celebridades Closer foram evocadas na segunda-feira, 13, pelo jornal Le Monde. "O ex-locatário do Palácio do Eliseu conservou poderosos apoios no interior da polícia, da qual uma parte dos efetivos continuaria fiel a Sarkozy", diz o jornal. "Também no Eliseu pessoas fiéis ao ex-presidente continuam em seus postos, em especial no Grupo de Segurança da Presidência da República".

Ontem, Mauel Valls, ministro do Interior, disse não acreditar que agentes fiéis a Sarkozy estejam instrumentalizando a polícia e os serviços secretos para prejudicar o presidente. "Não estamos nos EUA", respondeu ao Le Monde.

O caso extraconjugal do presidente foi exposto na quinta-feira pela Closer. Em sete páginas, a publicação mostrou, por fotografias, que Hollande frequenta o apartamento da atriz de cinema Julie Gayet, que o apoiou na campanha eleitoral de 2012 – quando ele saiu vencedor. As imagens não mostram os dois juntos, mas indícios apontam que o romance existe.

Os problemas do chefe de Estado aumentaram no fim de semana, quando foi revelado que a primeira-dama, Valérie Trierweiler, foi internada com sinais de depressão associada à notícia. Hollande, separado de sua primeira mulher, a ex-deputada e ex-candidata à presidência Ségolène Royal, vive com Valérie, sua namorada. Ontem, a estada dela no hospital foi prolongada pelos médicos, ampliando a repercussão do caso.

Há pressão para que Valérie deixe as funções públicas associadas ao papel de primeira-dama. "É normal que ela siga no Eliseu, paga pelos contribuintes, quando o presidente tem outras relações?", indagou o deputado conservador Daniel Fasquelle ao Le Monde. Conforme a agência EFE, o jornalista Fréderic Gerschel, após falar com ela, disse que Valérie "está consciente do problema político, de que não pode ter um gabinete com fundos estatais".

De acordo com o site Mediapart, o apartamento usado por Julie para receber o presidente era emprestado por uma amiga da atriz, sua colega Emmanuelle Hauck. Nascida na Córsega – ilha ao sul da França reputada pela presença de máfias e separatistas violentos –, Emmanuelle foi casada com outro ator, Michel Ferracci, nascido na ilha, com ligações com a máfia.

O caso, que não envolve diretamente Hollande, serviu para que a oposição cobrasse o governo socialista pela ineficiência da polícia e dos serviços secretos que deveriam proteger o presidente.

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