França defende envio de armas a rebeldes sírios

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, declarou nesta quinta-feira que seu país está pronto para armar os rebeldes sírios, em desafio ao embargo de fornecimento de armas que a União Europeia (UE) aplica ao país. Ao mesmo tempo, o presidente francês, François Hollande, reiterou a declaração de seu chanceler, afirmando que Paris pedirá ao bloco que levante o bloqueio, pois a Europa "não pode permitir que o massacre do povo sírio continue".

AE, Agência Estado

14 de março de 2013 | 18h29

"Queremos que os europeus levantem o embargo. Estamos prontos para apoiar a rebelião, portanto, estamos prontos para avançar até esse ponto. Devemos assumir nossa responsabilidade", afirmou Hollande em Bruxelas, ao chegar para a reunião de cúpula da UE. Segundo ele, a ajuda não serviria "para avançar na direção de uma guerra total".

Hollande afirmou também que "a França deve antes convencer seus parceiros" a suspenderem o bloqueio. "Não podemos permitir que uma população seja massacrada como está sendo hoje", disse.

Apesar de defender abertamente a derrubada do embargo, Hollande insistiu ser a favor de uma solução política para o conflito. "Para nós, uma transição política deve ser a solução para a Síria."

A insurreição armada contra o governo do presidente Bashar Assad completará dois anos amanhã. De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 70 mil pessoas morreram no conflito, que em poucos meses converteu-se em guerra civil.

Enquanto isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta quinta-feira que o número de refugiados do conflito sírio registrados saltou mais de 10% somente na última semana. Na semana passada, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) já havia revelado que o número de refugiados registrados na Jordânia, no Líbano, no Iraque, na Turquia e em países do norte da África ultrapassara a marca de 1 milhão. De acordo com Reem Alsalem, do Acnur, foram registrados mais de 121 mil refugiados desde então.

Também nesta quinta-feira, Fabius disse que Paris pretende fornecer armas para os rebeldes mesmo que outros países do bloco europeu discordem da manobra. França e Grã-Bretanha têm intensificado os pedidos para que os insurgentes recebam armamento, sob o argumento de equilibrar as forças em combate na Síria.

No entanto, outros governos europeus, entre eles o da Alemanha, resistem à medida, temendo que isso alimente ainda mais a violência na região. Os Estados Unidos e outras nações temem ainda que as armas fornecidas pelo Ocidente caiam na mão de extremistas islâmicos.

Em Bruxelas, Hollande e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, reuniram-se a portas fechadas antes da cúpula e concordaram em discutir com outros líderes do bloco quais alternativas a UE tem diante do embargo contra a Síria.

"O que pretendemos é injetar a força política dos mais altos níveis governamentais da UE nas discussões", disse uma porta-voz de Cameron, afirmando que o embargo está "saindo pela culatra". "Ele não impede os que estão ajudando Assad, impede os países da UE e outras nações de ajudar aqueles contra quem Assad vem travando uma guerra brutal."

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