Remy de la Mauviniere
Remy de la Mauviniere

França descarta intervenção unilateral na Líbia

Tripoli vive o pior conflito desde que o ditador Muamar Kadafi foi derrubado em 2011, deixando o país com dois governos rivais

O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2015 | 11h13

O presidente da França, François Hollande, descartou uma intervenção militar unilateral na Líbia, mas disse que os militares franceses vão atacar extremistas islâmicos que deixarem o país para levar armas à região africana do Sahel. Hollande pediu que a Organização das Nações Unidas (ONU) tome medidas para conter o aumento da violência no país do norte africano.

"Estamos nos certificando de que conteremos o terrorismo que se refugia ali, no sul da Líbia. Mas a França não vai intervir na Líbia, porque cabe à comunidade internacional assumir essa responsabilidade", afirmou Hollande.

A Líbia vive o pior conflito desde que o ditador Muamar Kadafi foi derrubado em 2011, deixando o país com dois governos rivais. Em meio ao caos, armas foram deslocadas da Líbia para a região africana do Sahel, que abriga vários grupos militantes. O ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, descreveu o sul da Líbia como um "centro terrorista".

Falando nesta segunda-feira na rádio France-Inter, Hollande disse que as forças francesas vão atacar os guerrilheiros "cada vez que deixarem esses lugares onde estão escondidos" no sul da Líbia.

Para isso, a França está desenvolvendo uma base militar no norte do Níger, a 100 quilômetros da região de fronteira da Líbia. Cerca de 200 soldados foram deslocados para o posto de deserto em Madama. Drones franceses e norte-americanos já estão operando na área da capital do Níger, Niamey.

Líderes africanos pediram que os países ocidentais intervenham na Líbia em uma cúpula de segurança em Dacar no mês passado. As forças francesas expulsaram grande parte dos insurgentes ligados a Al-Qaeda no norte do Mali em 2013 e alguns fugiram para a Líbia. A França, em seguida, lançou uma operação militar no ano passado contra grupos islâmicos em cinco de suas ex-colônias na região do Sahel. O país levou cerca de 3.000 soldados, 200 veículos blindados e seis aviões de combate para a Mauritânia, Burkina Faso, Níger, Chade e Mali. / AP

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