França desloca porta-aviões para o Oceano Índico

Pode ter sido pura coincidência, mas no mesmo momento em que se anunciava a queda do último reduto dos talebans em Tora Bora, no Afeganistão, a TV francesa noticiava a passagem do imponente porta-aviões nuclear francês, o Charles de Gaulle, pelo Canal de Suez, navegando na direção do Oceano Índico. Com 2.000 homens a bordo, a missão dele é cooperar na operação americana para impedir a fuga, por mar, de Osama bin Laden, chefe da rede terrorista Al-Qaeda.Os acontecimentos no Afeganistão mostram que o fim da guerra está sendo antecipado e tudo indica que o porta-aviões e as unidades que o acompanham podem chegar atrasadas no teatro de operações. Por isso, há suspeita de que sua verdadeira missão não se desenvolva no Afeganistão, mas numa nova frente da guerra contra o terrorismo: a Somália, na África.A missão oficial da embarcação parece mais diplomática e política do que militar. Sua presença serve mais para revelar o apoio político francês à luta contra o terrorismo internacional, já que as hesitações políticas francesas nesses três meses nem sempre foram do agrado dos americanos.É bem provável que nessas últimas horas, Washington tenha adiantado a seus aliados europeus argumentos que possam justificar a ampliação da luta antiterrorista. Ainda hoje, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, reuniu-se com o presidente Jacques Chirac, fato que contribui para aumentar os rumores sobre a abertura de nova frente da guerra.O envio do Charles de Gaulle ilustra as ambigüidades francesas na crise afegã. De um lado, a precipitação do presidente Chirac ao anunciar o engajamento do país na luta - ele é o chefe das Forças Armadas. Do outro, a lentidão do primeiro-ministro Lionel Jospin e dos militares para concretizar o engajamento.Os franceses não escondem as dificuldades encontradas para instalar seus homens. Só agora, quase um mês depois do fim da batalha de Mazar-i-Sharif, o Usbequistão autorizou que os 300 soldados franceses encarregados de garantir a segurança do aeroporto pudessem atravessar a fronteira. Ninguém tem dúvidas de que a França foi colocada de lado, em segundo plano, durante esses três meses.Hoje, prevalece entre os militares franceses o sentimento de que seus colegas americanos não têm muito interesse em facilitar sua integração no dispositivo. Os países do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Omã, Catar e Bahrein) também dificultaram a tarefa, embora tenham cedido seus aeroportos a americanos e alemães.Leia o especial

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