FRANCOIS GUILLOT/AFP
FRANCOIS GUILLOT/AFP

França desmonta acampamento de imigrantes em Paris

Cerca de 3,8 mil pessoas foram levadas em ônibus para abrigos situados na região metropolitana da capital, após uma operação de desocupação sem incidentes

Andrei Netto,CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2016 | 20h14

Cerca de 3,8 mil pessoas, a maioria de países como Afeganistão, Sudão e Eritreia, foram retirados nesta sexta-feira das ruas de Paris pela polícia, em mais uma operação de desmonte de acampamentos de estrangeiros na França. A mobilização desta vez foi realizada no chamado "triângulo dos migrantes", em torno da região de Stalingrad, no norte da capital. Os moradores de rua foram organizados em ônibus e enviados para centros de acolhimento na região metropolitana. 

A desocupação foi feita por mais de 600 policiais a partir de 6 horas, mas os deslocamentos continuaram durante toda a manhã. O primeiro grupo a ser retirado em 16 ônibus foi de afegãos, cerca de 800 ao todo, que acampavam no Cais de Jemmapes. A seguir, um segundo grupo deixou a Avenida de Flandre. Ao todo, 3.852 pessoas foram removidas em mais de 80 ônibus que fizeram o trajeto para centros de acolhimento. Esse era, segundo a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, o maior acampamento registrado na capital.

Nesses abrigos, os migrantes terão auxílio para solicitarem refúgio ou asilo político ou para pedirem a legalização de suas estadias no país. Esses pedidos serão, a seguir, analisados pelas autoridades. Quem não tiver o pedido aceito será reenviado a seu país de origem. "Há pessoas que vieram de países onde foram perseguidos, sudaneses do Darfur, eritreus, iraquianos, sírios. Não havia nenhuma razão de não lhes conceder proteção", argumentou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

Para abrigar os migrantes, um total de 4 mil leitos foram preparados na região de Ile-de-France, onde Paris se localiza, dos quais cerca de mil em ginásios. "Nós sabemos que lugares em ginásios são criticados, mas são lugares provisórios que nos permitem organizar os migrantes para as estruturas para as quais serão encaminhados, sem que retornem à capital", explicou o prefeito da região, Jean-François Carenco.

A julgar pela demanda nos ônibus e pela disputa pelos primeiros lugares, a estratégia do Ministério do Interior de oferecer abrigo em meio ao início do inverno na França atraiu os migrantes. O Estado acompanhou na manhã desta sexta-feira a operação, e pôde verificar – como já havia acontecido em Calais, no norte do país – a disputa por um lugar nos centros de acolhimento.

Como aconteceu há uma semana, porém, vários migrantes reclamaram da falta de informações claras sobre os locais para os quais seriam removidos. Alguns contaram que não tinham aceitado abrigo em Calais, preferindo viajar para Paris.

Mas nesta sexta-feira aceitaram a oferta. Esse era o caso de Mohammed Ahmed, sudanês de 20 anos que estava na capital havia quatro dias. "Em Calais nós não podíamos sair de nossas tendas, porque estávamos bloqueados em uma área. Aqui, eu podia circular quando queria", explicou, antes de subir no ônibus.

Em 2016, 29 operações de retirada da região do "triângulo dos migrantes" já foram realizadas em Paris, levando para abrigos um total de 20 mil expatriados. Destes, 5 mil abandonaram os centros de acolhimento ao longo das semanas, retornando às ruas.

Nos últimos dias, a mobilização das autoridades cresceu. Na semana passada, a retirada do campo improvisado de Calais, a "selva", no norte de país, marcou o início das operações de "acolhimento" dos imigrantes.

Nesta sexta-feira, Cazeneuve garantiu que o governo francês não permitirá que novas favelas sejam montadas. "Não haverá nenhum mini-Calais na França. Só haverá centros de acolhimento e de orientação", prometeu.

Só em Calais, 5,132 adultos e 1.930 menores foram retirados da favela em que viviam, à espera de uma oportunidade no Reino Unido. Dentre eles, 1,7 mil serão expulsos do território francês por não se enquadrarem na condição de refugiados ou asilados. Os trabalhos são realizados em parceria com a ONG France Terre d'Asile.

 

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