França dissolve dois grupos de extrema direita

O Ministério do Interior da França determinou ontem a dissolução de dois dos mais atuantes grupos de extrema direita do país, a Obra Francesa e a Juventude Nacionalista. A decisão foi tomada após acusações de racismo, xenofobia e antissemitismo, além de "propagação do ódio e da violência". A medida se baseia em uma lei de 1936 e visa a combater milícias que cultuavam a Alemanha nazista, cada vez mais visível no país.

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2013 | 02h04

A ofensiva do presidente socialista François Hollande contra grupos de extrema direita começou com a morte, em junho, do militante de esquerda Clément Méric, após uma briga com um ativista da Juventude Nacionalista Revolucionária (JNR). A JNR e o grupo Terceira Via foram dissolvidos pelo governo há 15 dias.

A ação tem maior impacto sobre a Obra Francesa, fundada por Pierre Sidos, filho de François Sidos, militante de extrema direita condenado por crime de colaboração e fuzilado depois da libertação do país. A instituição tem laços ideológicos com o partido extremista Frente Nacional (FN), de Jean-Marie Le Pen e de sua filha, Marine.

Ao Estado, Yvan Benedetti, presidente da Obra Francesa, disse que a decisão é uma nova "repressão" contra os opositores mais resistentes à "ditadura socialista" de Hollande. "O movimento tem mais de 50 anos e não será um governo que tem data limite nem um presidente que não terá mais de um mandato que vai extingui-lo." Benedetti, porém, não refutou as acusações de racismo e xenofobia que pesam contra a Obra Francesa. "Nós defendemos a identidade da França e os interesses do povo francês", disse.

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