França diz que intervenção militar no Mali é iminente

Força africana autorizada pela ONU deve entrar em conflito com radicais que ocupam o norte do país já no primeiro semestre

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2012 | 02h02

A África está na iminência de mais uma conflito armado. O ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, informou ontem, em Paris, que a intervenção estrangeira contra os grupos radicais islâmicos que controlam o norte do Mali deve ocorrer até o final do primeiro semestre. A ação militar de uma força africana foi aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para conter a ação dos islamistas e de rebeldes tuaregues que ocupam a região, impondo a Sharia à população local e destruindo patrimônios históricos da humanidade.

A previsão foi feita pelo ministro de Defesa da França em entrevista ao jornal La Croix, de Paris. "A intervenção militar poderá ocorrer no primeiro semestre do próximo ano. Por enquanto, não há solução política", disse Le Drian. O primeiro grupo de 400 militares de países europeus que vai trabalhar no treinamento das forças africanas será destacado no início do ano. Ele terá a missão de "formar o Exército do Mali e prepará-lo para devolver ao país a soberania sobre seu território", explicou o ministro.

Os militares europeus, entretanto, não participarão da intervenção armada, que ficará a cargo de 3,3 mil homens oriundos de exércitos africanos. Ainda de acordo com Le Drian, a estratégia da ofensiva ainda não foi totalmente elaborada. "O conceito operacional está sendo afinado", afirmou.

A Resolução 2.085 das Nações Unidas, que autorizou a intervenção, prevê a constituição de uma Missão Internacional de Apoio ao Mali (Misma), assim como o treinamento, a organização de uma nova estrutura de comando, o reequipamento das forças locais e sua adaptação ao terreno. Para experts em defesa europeus, o tempo pode ser exíguo para o envio das tropas ao norte, em especial frente a grupos islâmicos que contam com armamento contrabandeado da guerra na Líbia, que derrubou o ditador Muamar Kadafi em 2011.

Além das questões militares, a sorte de quase 700 mil habitantes das regiões sobre o controle dos grupos islâmicos no norte do Mali preocupa os especialistas. Sujeitos à sharia, essa população enfrenta violência e exações, mas em um cenário de conflito poderia ter de migrar durante o intervalo do conflito, gerando um problema humanitário em toda a região.

Ontem, em novo sinal de desafio à comunidade internacional, membros do Ansar Dine - "Defensores do Islã" -, grupo que domina a região em torno da cidade histórica de Timbuctu com o apoio da Al-Qaeda do Magreb Islâmico (Aqmi), revelaram imagens da destruição de novos mausoléus de santos muçulmanos. A "cidade dos 333 santos" é uma das mais visadas pelos grupos extremistas. "Não vai sobrar um só mausoléu de Timbuctu", ameaçou Abou Dardar, falando à Agência France Presse (AFP). "Deus não gosta disso. Nós estamos destruindo todos os mausoléus na região." / COM AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.