França diz que Irã enfrentará sanções

O ministro do Exterior francês afirmou nesta quarta-feira que o Irã irá enfrentar sanções por se recusar a interromper seu programa nuclear, mas as potências mundiais continuam divididas sobre a extensão das medidas. "A questão é sobre o escopo das sanções, mas haverá sanções", disse Philippe Douste-Blazy à rádio "RTL". Seu ministério disse na terça-feira que conversas a portas fechadas em Paris haviam causado "progresso significativo", mas falharam em chegar a um acordo de resolução para punir o Irã por sua recusa em cessar o processo de enriquecimento de urânio. O presidente do Irã ameaçou rever as relações com os 25 países da União Européia se duras sanções forem estabelecidas nas conversas entre os diplomatas dos países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU EUA, Grã-Bretanha, China, França e Rússia - além da Alemanha e da UE.Após meses de impasse diplomático, os EUA e a França esperavam que as conversas de terça-feira fossem produzir uma resolução impondo sanções ao Irã por não aceitar o prazo de 31 de agosto para suspender suas atividades de enriquecimento de urânio. As potências ocidentais acusam o Irã de tentar construir uma bomba nuclear, enquanto Teerã insiste que a finalidade de seu programa nuclear é produzir energia.Ainda assim, um alto diplomata russo, que falou em condição de anonimato em razão da delicadeza das conversas, disse que a Rússia, que ficou ao lado do Irã em diversas questões, fez algumas concessões nas conversas de terça-feira. Os russos concordaram em proibir transferências financeiras aos iranianos "problemáticos", ligados ao programa nuclear ou de mísseis balísticos, afirmou o diplomata.A Rússia ainda se opõe a um congelamento de recursos mais amplos, que a Inglaterra, a França e a Alemanha propuseram em um rascunho de resolução da ONU apresentado em outubro, disse o diplomata.As discussões agora vão continuar agora em Nova York. Os americanos e europeus pressionam por uma resolução até o final deste ano."Estamos em um momento em que a credibilidade da ONU está em xeque", disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Sean MacCormack em Washington antes das conversas.O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad afirmou na terça-feira que irá continuar com seu programa nuclear e lançou uma nova ameaça de rever as relações com a UE se negociadores europeus optarem por sanções duras. Ele não deu detalhes sobre como as relações podem ser revistas. A UE é o maior parceiro comercial do Irã.Os russos também permanecem resistentes à medida que expandiria os poderes da Agência Internacional de Energia Atômica para monitorar o programa nuclear iraniano, considerando uma "provocação" ao Irã, segundo o diplomata europeu.O rascunho de resolução iria eximir um reator nuclear sendo construído pelos russos no Irã, mas não o combustível nuclear necessário para o reator. A Rússia quer remover qualquer menção sobre o reator.A paciência de Washington parece estar se esgotando. Questionado sobre quando ele esperava a Rússia e a China começarem a apoiar a resolução, o participante americano nas discussões, o subsecretário de Estado Nicholas Burns, respondeu que "esta tarde seria um bom momento".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.