França diz que não dará "cheque em branco" aos EUA

A França não será convencida pelos Estados Unidos a assinar um "cheque em branco" para uma ação militar contra o Iraque, afirmou hoje o ministro do Exterior Dominique de Villepin. Apesar da grande pressão dos EUA e da Grã-Bretanha, Villepin deixou clara a oposição da França a uma única resolução da ONU que exigiria que o Iraque aceitasse as inspeções de armas e ameaçaria com o uso da força, no caso de recusa. A França defende um plano que contempla duas resoluções. A primeira exigiria a volta dos inspetores e a segunda resolução, ameaçando ação militar, só seria discutida caso o Iraque desafiasse a primeira. "Não podemos aceitar uma resolução que autoriza de imediato o uso da força", explicou Villepin num artigo publicado hoje no jornal Le Monde. "Não queremos dar um cheque em branco para a ação militar".A administração do presidente George W. Bush, acusando Saddam Hussein de estocar armas de destruição em massa e de abrigar terroristas, argumenta que a derrubada do líder iraquiano seria a melhor forma de desarmar o Iraque. De Villepin, entretanto, advertiu que tal ação violaria o direito internacional e estabeleceria um perigoso precedente para outros países. "A França não tem complacência em relação a Bagdá, mas uma ação visando uma mudança de regime iria contra a lei internacional", afirmou.Para ele, apenas se Bagdá não aceitar incondicionalmente a volta dos inspetores, o Conselho de Segurança deveria considerar o uso da força. Ele afirmou que os inspetores tiveram sucesso no passado. "Um maior número de armas (no Iraque) foram destruídas por inspetores, entre 1991 e 1998, do que durante a Guerra do Golfo". De Villepin disse que uma ação unilateral dos EUA iria desestabilizar o Oriente Médio. Nações árabes "têm deixado claro que apoiarão uma ação decidida pelas Nações Unidas", lembrou. "Cabe a nós prestar atenção à mensagem."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.