REUTERS/Stephane Mahe
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França e Alemanha querem ‘relançar’ bloco europeu

Após referendo britânico, François Hollande e Angela Merkel vão se encontrar para planejar passos da UE para fortalecer integração

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

23 Junho 2016 | 20h57

O presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, vão se encontrar na segunda-feira para discutir a estratégia de “relançamento” da União Europeia. A reunião ocorrerá na véspera do encontro de cúpula do bloco, que será realizado em Bruxelas entre a terça e a quarta-feira. 

Fortalecidos pelo provável resultado do referendo em favor da permanência do Reino Unido no bloco, os dois líderes políticos pretendem iniciar uma ofensiva por mais integração – ao menos na zona do euro.

Entre diplomatas europeus, o resultado do referendo que provavelmente confirmará o Reino Unido como país-membro da União Europeia é interpretado como a manutenção do status quo no bloco político, minado pelas barreiras à integração impostas por movimentos eurocéticos em vários países do bloco.

Para enfrentá-los, França e Alemanha discutem série de reformas em tratados europeus, que podem incluir a criação de um Executivo e um Parlamento exclusivos para integrar os 19 países-membros da zona do euro, que incluem 338 milhões de habitantes – dos 508 milhões que vivem nos 28 países da UE. 

Convencidos de que o Reino Unido não permitirá, por seu poder de veto, uma maior integração na UE, a estratégia de Paris é promover mais sinergia no que é considerado o núcleo do bloco: a zona do euro. Para tanto, um orçamento público seria criado para irrigar as novas instituições, segundo propôs o ministro da Economia da França, Emmanuel Macron, em entrevista ao Le Monde.

A iniciativa franco-alemã também servirá como resposta ao “status especial” concedido ao Reino Unido em novembro de 2015, graças à pressão exercida pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron. Na ocasião, ficou acertado que Londres não será obrigada a participar da “união cada vez mais estreita” com os demais países-membros da UE, nem se unir à zona do euro.

O regime de salvaguardas do Reino Unido provoca queixas de outros países, que reclamam da desigualdade de tratamento. Para contornar o tema, França e Alemanha planejam uma “união em duas velocidades” – sendo que a integração dos países da zona do euro será mais rápida e intensa do que a dos países da União Europeia.

Mas, para analistas, o dia após o referendo não será necessariamente positivo para o projeto de integração europeia. “Independentemente do resultado, o referendo britânico pode desencadear o processo de desintegração da UE”, afirmou o ex-premiê italiano Mario Monti. "Os mecanismos que permitiram à UE reforçar-se pela crise foram enfraquecidos pelas forças populistas."

Para a cientista política Pauline Schapper, da Sorbonne, “Essa campanha ilustrou a importância do sentimento antieuropeu no Reino Unido, a importância da oposição à imigração e reforçará o populismo representado pelo Partido pela Independência do Reino Unido”, afirmou. “A campanha enfraqueceu o campo racional, seja o da esquerda moderada ou o da direita moderada.”

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