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França e Alemanha criticam plano da UE para realocar imigrantes

Seus ministros disseram que os esforços já feitos atualmente para ajudar aos que pedem asilo devem ser levados em conta

O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2015 | 17h47

BRUXELAS - França e Alemanha demonstraram, nesta segunda-feira, 1º, estar preocupadas com o plano da Comissão Europeia de redistribuir os imigrantes que chegam ao continente pela Itália e Grécia. De acordo com a proposta, os dois países teriam de lidar com 40% dos 40 mil imigrantes que chegam ao continente pelo Mediterrâneo, o que gerou críticas dos representantes dos dois países. 

Os Ministros do Interior Bernard Cazeneuve (França) e Thomas de Maiziere (Alemanha) disseram que os esforços já feitos atualmente para ajudar aos que pedem asilo devem ser levados em conta e o plano de emergência deve ser guiado pelos princípios de responsabilidade e solidariedade. 

“Nós acreditamos que o equilíbrio entre esses dois princípios ainda não foi alcançado na proposta apresentada pela Comissão”, criticaram. Além de França e Alemanha, a Espanha apresenta as mesmas preocupações, por também ter sido escolhida como um dos principais destinos na realocação dos imigrantes. Os ministros reforçaram ainda que 75% dos pedidos de asilo na União Européia concentram-se em cinco países: Alemanha, França, Suécia, Itália e Hungria. 

Na análise dos representantes de França e Alemanha, a situação atual é “insustentável” e os países litorâneos do Mediterrâneo que pedem por mais solidariedade devem aplicar todas as medidas jurídicas e financeiras necessárias para reforçar a vigilância das fronteiras. Eles sugerem também que os imigrantes sejam levados a “centros de espera” próximos do local de desembarque e que ali se faça a seleção, e a posterior expulsão, dos que não estão aptos a receber o status de refugiados. 

Dada a reação dos países, o diretor-executivo do Gabinete Europeu de apoio em Matéria de Asilo (EASO, na sigla em inglês), Robert Visser, pediu mais solidariedade e flexibilidade aos Estados no momento de lidar com a chegada massiva de pessoas. Em entrevista à agência de notícias EFE, ele disse que é necessário fazer mais e “fazer juntos”. 

Proposta. A Comissão Europeia propôs, na semana passada, que os Estados-membros da União Europeia redistribuíssem a responsabilidade de lidar com os milhares de imigrantes que cruzam o Mediterrâneo, a fim de aliviar a pressão para Itália e Grécia. A proposta pede que a realocação dos imigrantes leve em conta a população, economia e taxa de desemprego de cada país, além do número de asilos concedidos nos últimos cinco anos. O plano ainda pode ser discutido até os dias 15 e 16. 

O EASO destacou que a União Europeia vive uma chegada de imigrantes em busca de asilo “quase sem precedentes”, só ficando atrás da Guerra da Bósnia em 1992. De 2010 a 2014, foram mais de 2 milhões de pedidos de asilo, e apenas 662 mil deles resultaram em algum tipo de proteção. Os grupos mais necessitados são os sírios e os eritreus. 

Somente desde sexta-feira, mais de 5 mil imigrantes que tentavam chegar à Europa de barco foram salvos no Mediterrâneo, informaram autoridades da União Europeia. / REUTERS e EFE  

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