Stephane de Sakutin/AFP
Stephane de Sakutin/AFP

França e Espanha decidem afrouxar isolamento social

Países têm números em queda da doença e devem reabrir aos poucos; Alemanha vê maior contaminação após flexibilização 

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 18h47

PARIS - Com números de mortes e contaminados apresentando pequenas quedas a cada dia, Espanha e França anunciaram nesta terça-feira, 28, que vão flexibilizar as regras de confinamento como forma de reativar suas economias, que foram duramente atingidas desde o começo da pandemia. Já a Alemanha, que saiu na frente no afrouxamento da quarentena, mostra preocupação com o aumento de notificações e mortes pelo novo coronavírus.

Ao Parlamento hoje, o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, disse que o isolamento imposto para conter a disseminação da pandemia salvou dezenas de milhares de vidas, mas que é hora de flexibilizar as restrições para evitar o colapso econômico. O número de mortos na França ultrapassou 23 mil na segunda-feira, o quarto mais alto do mundo, atrás de Estados Unidos, Itália e Espanha. 

No entanto, o governo tenta agora aproveitar que as taxas de infecção estão caindo para resgatar uma economia em queda livre, embora Philippe tenha dito que o povo francês terá de se adaptar a uma nova maneira de viver. “Vamos ter de aprender a conviver com o vírus”, afirmou Philippe 

O governo francês tenta encontrar um equilíbrio entre retomar as atividades – o confinamento no país ocorre desde meados de maio – sem que haja o risco de uma segunda onda de infecções. De acordo com o primeiro-ministro, a França começará a deixar o isolamento em 11 de maio, a menos que não seja seguro fazê-lo, disse Philippe.

“Se os indicadores não estiverem adequados, não vamos flexibilizar o isolamento em 11 de maio ou o faremos com mais rigor”, afirmou. Até lá, disse ele, a França terá capacidade para realizar 700 mil testes por semana, todos pagos pelo governo.

Por sua vez, a Espanha irá flexibilizar seu rigoroso confinamento gradualmente e em velocidades diferentes em seus territórios, em um processo que deve terminar no fim de junho, anunciou hoje o primeiro-ministro Pedro Sánchez. “Na melhor das hipóteses, a fase de desaceleração em direção a esse novo normal terá uma duração mínima de seis semanas e queremos que a duração máxima seja oito semanas para todo o território espanhol”, disse Sánchez. 

“No fim de junho, estaríamos como um país nessa nova normalidade, se a evolução da epidemia for controlada em cada um dos territórios”, explicou ao descrever o plano de flexibilização do confinamento a que os 47 milhões de espanhóis estão submetidos desde 14 de março. “Será a recompensa pelo gigantesco esforço coletivo que realizamos nas últimas semanas”, disse. "Conseguimos achatar a curva de disseminação da epidemia.” 

O confinamento espanhol, o mais rigoroso da Europa, já teve um leve relaxamento no domingo, quando crianças tiveram autorização para poder caminhar ou brincar na rua durante uma hora por dia. No próximo fim de semana, o país dará mais um passo, permitindo que os adultos saiam para fazer exercícios ou passear.

Após uma fase de preparação, provavelmente em 11 de maio, restaurantes, lojas, hotéis e locais de entretenimento começarão a abrir gradualmente, embora com capacidade reduzida, observando “rigorosamente” as medidas de segurança e higiene, explicou Sánchez. 

As escolas permanecerão fechadas até setembro, com exceção das atividades de reforço ou para receber crianças menores de 6 anos cujos pais não possam trabalhar em casa, informou o líder espanhol. Até o fim do processo, o movimento de pessoas entre as províncias não será permitido, enquanto o uso de máscaras “será altamente recomendado”, especialmente para o transporte público. 

O país já contabiliza mais de 23 mil mortes e mais de 232 mil casos confirmados.

A Alemanha vive um dilema. Pouco mais de uma semana após adotar regras de flexibilização para o isolamento social, o país começa a registrar os primeiros sinais de um agravamento na pandemia do novo coronavírus. 

De acordo com dados de segunda-feira do Instituto Robert Koch, responsável por acompanhar a evolução do vírus no país, os índices de infecção e de letalidade da doença aumentaram.

Segundo o instituto, o índice de infecção voltou ao patamar de 1,0. Isso significa que cada pessoa doente contamina outra. Essa é a primeira vez que o índice atinge esse nível desde o começo deste mês – antes estava em 0,7, o menor alcançado até agora. Já a taxa de letalidade de casos da doença continua aumentando. Apesar disso, o índice atual, de 3,8%, permanece inferior ao dos países vizinhos, mas já foi de 0,5%. 

A Alemanha registra até o momento mais de 156 mil casos e quase 6 mil mortes por covid-19. / AFP, REUTERS e EFE

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