Tyler Hicks/The New York Times
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França e EUA concordam sobre missão da ONU no Mali

Hollande disse que seu Exército fica no país até que a força multilateral da África esteja pronta para operar

AE, Agência Estado

04 de fevereiro de 2013 | 15h17

PARIS - A França e os EUA concordaram que a Organização das Nações Unidas (ONU) assuma a autoridade da força multilateral africana que será estabelecida no Mali, afirmou o vice-presidente norte-americano, Joe Biden.

"Nós concordamos sobre a necessidade de estabelecer, tão rapidamente quanto possível, a missão internacional liderada pela África no Mali e transferir essa missão para as Nações Unidas", disse Biden em Paris depois de uma reunião com o presidente francês François Hollande.

Hollande disse repetidamente que o Exército francês só ficará no Mali até que a força multilateral da África tenha pleno direito e esteja pronta para operar no país. As autoridades francesas sugeriram que a força multilateral seja transformada em uma missão de paz sob a autoridade da ONU, assim que a situação estiver "estabilizada e segura" no Mali. Mais de 3 mil soldados dos países da África Ocidental já estão no Mali.

Biden elogiou a intervenção militar da França no Mali para combater extremistas islâmicos que haviam tomado o controle de grande parte do país africano. Ele afirmou que a "ação decisiva" para enviar tropas e aviões ao Mali "não foi só do interesse da França, mas dos Estados Unidos e de todos."

A França e os EUA temem que o norte do Mali, sob controle de radicais islâmicos e traficantes de drogas, possa se tornar um refúgio para terroristas.

Jatos de combate da França bombardearam bases de abastecimento islamitas no norte do Mali para conter o avanço dos insurgentes. O governo francês está pressionando para que as tropas africanas tomem rapidamente o controle da ofensiva.

Dezenas de aviões de guerra franceses realizaram no fim de semana ataques aéreos maciços em centros de logística e treinamento rebelde na área em torno de seu último reduto de Kidal.

Os combatentes extremistas, que controlaram o norte do Mali por 10 meses, fugiram para o maciço montanhoso Adrar des Ifoghas, na região de Kidal, perto da fronteira com a Argélia, depois de serem expulsos da maioria de suas fortalezas por um ataque liderado pela França ao longo de três semanas.

A Argélia reforçou suas posições na fronteira para impedir "a infiltração de grupos terroristas", disse Mohamed Ali Baba, um integrante do parlamento da cidade de Tamanrasset, à France Presse.

Delegações do União Africana, Nações Unidas, União Europeia, e do ECOWAS, órgão regional da África Ocidental, bancos e grupos de assistência se preparam para uma reunião, em Bruxelas, amanhã, para estudar um caminho para a estabilidade assim que a ofensiva militar acabar.

O ministro das Relações Exteriores do Mali, Tieman Hubert Coulibaly, pediu nesta segunda-feira cooperação para acabar com os extremistas que se espalharam pelo norte do seu país com minas terrestres e representam uma ameaça terrorista para a região e para a Europa.

As declarações foram feitas em uma entrevista em Paris, onde ele está discutindo a intervenção militar da França contra os combatentes ligados a Al-Qaeda no Mali. A explosão de minas terrestres matou quatro soldados do Mali e dois civis no norte do país nos últimos dias.

Coulibaly afirmou que "aqueles que instalaram essas minas são bárbaros". Segundo ele, o problema das minas mostra "o alto grau de ajuda que nós precisamos". Ele disse que o país africano precisa de uma força militar para expulsar os extremistas.

A Cruz Vermelha Internacional disse que, apesar da retirada dos islamitas, os mais de 350 mil moradores que fugiram dos combates, segundo estimativas da ONU, estavam hesitantes em voltar para casa, e apenas 7 pessoas no centro do Mali retornaram até agora.

As informações são da Associated Press

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