França e EUA oferecem ajuda ao Japão para conter crise nuclear

Detecção de plutônio nas proximidades da usina de Fukushima eleva preocupação das autoridades

Reuters

29 de março de 2011 | 18h59

TÓQUIO - A França e os EUA vão ajudar o Japão em sua batalha para conter a radiação de um complexo nuclear danificado no qual foram encontrados traços de plutônio, fato que aumentou a preocupação pública sobre a pior crise atômica mundial desde Chernobyl, em 1986.

 

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A operação de alto risco na usina de Fukushima ampliou o desastre humanitário sem precedentes no Japão causado pelo terremoto e o tsunami de 11 de março, que deixaram cerca de 27.500 mortos ou desaparecidos.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que dirige atualmente os blocos de nações do G20 e G8, planeja visitar Tóquio na quinta-feira. Será o primeiro líder estrangeiro a ir ao Japão desde o terremoto. Em novo gesto de apoio, a França enviou ao Japão dois especialistas de sua fábrica estatal de reatores nucleares, a Areva, e seu dirigente do órgão de pesquisa nuclear para dar assistência à empresa japonesa que opera a usina, a Tokyo Electric Power (Tepco), a qual vem sendo fortemente criticada.

Líder mundial no setor nuclear, a França obtém cerca de 75% de sua energia de reatores, por isso tem um forte interesse em ajudar o Japão a superar a crise de Fukushima. Os EUA também estão avaliando o envio de alguns robôs para ajudar o Japão a analisar a parte central do reator e as piscinas de combustível nuclear usado, informou o Departamento de Energia.

 

Diante da crescente evidência de radiação dentro e fora da usina, o medo da população aumentou ainda mais com o anúncio feito na segunda-feira (terça-feira no Japão) de que vestígios de plutônio foram encontrados no solo em cinco lugares dentro do complexo. Subproduto de reações atômicas e ingrediente básico de bombas nucleares, o plutônio é altamente cancerígeno e uma das substâncias mais perigosas do planeta, segundo peritos.

No entanto, o Japão disse que somente dois dos vestígios de plutônio tinham provavelmente origem nos danos causados à usina. O restante seriam partículas vindas da atmosfera, provenientes de testes nucleares realizados há tempos no exterior.

Os níveis de até 0,54 becquerels por quilo não foram considerados prejudiciais, disseram autoridades japonesas. Mas admitiram que a descoberta significa que o mecanismo de contenção do reator havia sido violado. "Isso evidencia a gravidade e seriedade deste acidente", disse Hidehiko Nishiyama, alto funcionário da agência japonesa de segurança nuclear.

A usina de Fukushima foi afetada primeiro pelo terremoto e, depois, coberta por uma onda gigante. Agora se parece com uma área bombardeada, com vapor e fumaça surgindo ocasionalmente de canos e aço retorcido.

A Tepco está sob enorme pressão, sendo criticada por falhas de segurança e a demora na reação ao desastre. Suas ações caíram quase 75% desde o sismo, chegando na terça-feira ao nível mais baixo em 47 anos. Há comentários no país sobre a possibilidade de o Estado assumir o controle da empresa.

O governo também está em apuros. Antes criticado por uma posição fraca de liderança durante a pior crise no país desde a Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro, Naoto Kan, foi atacado na terça-feira pela oposição no Parlamento pelo modo como agiu no desastre e por não ter ampliado a zona de exclusão além dos atuais 20 quilômetros ao redor de Fukushima. 

 

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