EFE/Will Oliver
EFE/Will Oliver

França e outros países da União Europeia se preparam para possível Brexit sem acordo

Reforço na segurança de aeroportos, funcionários de alfândegas, Eurotúnel e permissão de residência estão entre as medidas de emergência anunciadas por Paris

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2019 | 12h57

PARIS - A França vai gastar 50 milhões de euros para reforçar a segurança em aeroportos e no Eurotúnel e emitirá decretos de emergência para a cada vez mais provável possibilidade de um Brexit sem acordo, com prazo para ocorrer em 29 de março. Outros países da União Europeia, como a Alemanha e Holanda, fazem discussões no mesmo sentido.

“Nós fortemente acreditamos” que os britânicos saiam (da UE) sem um acordo, afirmou o primeiro-ministro francês Edouard Philippe nesta quinta-feira, 17, revelando um plano de emergência para esse cenário. “Sob essas condições, nossa responsabilidade é assegurar que o nosso país está pronto e que os interesses dos nossos cidadãos estão preservados e defendidos.”

Na terça-feira 15, o Parlamento britânico rejeitou o acordo negociado durante dois anos por Theresa May com Bruxelas. A primeira-ministra britânica tem até a segunda-feira 21 para apresentar um plano B, quando faltarão 9 semanas para o fim do prazo.

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Com o plano de emergência que entra em vigor nesta quinta, preparado desde abril de 2018, o governo francês poderá contratar cerca de 600 funcionários da alfândega e inspetores veterinários, além de investir em infraestrutura em aeroportos e portos. Tudo deve estar em operação em 30 de março.

Medidas de forças de segurança serão postas em prática para o túnel sob o Canal Inglês. A companhia que opera o Eurotúnel afirma que um quarto de todo o comércio franco-britânico passa pelo túnel, o que poderia ser um gargalo caso não haja acordo.

O primeiro-ministro insistiu que as medidas são “um plano de contingência”, mas a França não pode mais aguardar por um potencial acordo ou outros desenvolvimentos. Os decretos, que devem ser aprovados no Senado, visam proteger os interesses dos residentes franceses no Reino Unido, garantir um estatuto para os cidadãos britânicos na França, além de prever medidas para restaurar controles aduaneiros nos portos e aeroportos da França para os produtos britânicos.

Entre os cinco decretos de emergência, o governo francês vai permitir que trabalhadores britânicos residentes continuem em território francês até um ano depois de 29 de março, mas apenas se o governo britânico concordar em fazer o mesmo com os cidadãos franceses no Reino Unido.

Alemanha

Enquanto o governo francês coloca em prática as medidas, a Alemanha acelera os debates para resolver os problemas burocráticos em um cenário com Brexit abrupto. “Certamente haverá danos com a saída do Reino Unido, mas queremos que sejam os mais baixos possíveis”, disse na quarta-feira 16 a chanceler Angela Merkel.

Já a Holanda anunciou na semana passada que fez uma exceção especial para permitir aos cidadãos britânicos permanecer no país por 15 meses quando não tiverem mais os benefícios de moradia concedidos pela cidadania europeia. Os britânicos residentes na Holanda terão direito a pedir por uma residência.

O Reino Unido, o mais afetado pela separação, dedicou milhares de funcionários públicos e bilhões de libras em medidas para mitigar os piores danos, embora apenas se possa especular o que irá acontecer em 30 de março se os britânicos saírem do bloco sem um acordo.

As próximas semanas definirão se Londres pedirá a Bruxelas uma renegociação do antigo acordo rejeitado pelo Parlamento ou um adiamento do prazo. / AP

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