França e Reino Unido pedem que rebeldes organizem transição na Líbia

Declaração conjunta de Sarkozy e Cameron pede também saída imediata de Muamar Kadafi

BBC

28 de março de 2011 | 13h30

LONDRES - Os governos da França e do Reino Unido emitiram nesta segunda-feira, 28, um comunicado conjunto em que pedem a saída imediata do líder da Líbia, Muamar Kadafi, e que os rebeldes líbios deem início à transição no país africano.

 

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Na nota, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, dizem que, "nas palavras da resolução da Liga Árabe, o atual regime perdeu completamente sua legitimidade. Kadafi deve, portanto, deixar o poder imediatamente". "Pedimos a todos os partidários dele (de Kadafi) que parem de apoiá-lo antes que seja tarde. Pedimos a todos os líbios que acreditam que ele está levando a Líbia ao desastre a tomar a iniciativa agora para organizar um processo de transição", diz o comunicado. 

 

Segundo Sarkozy e Cameron, a mudança na Líbia pode ser organizada pelo Conselho Nacional Interino de Transição (órgão formado pelos rebeldes, com sede na cidade de Benghazi), além de "líderes da sociedade civil" e "todos aqueles prontos para se juntar ao processo de transição para a democracia". "Nós os incentivamos a iniciar um diálogo político nacional, que levará a um processo de transição representativo, reforma constitucional e preparação para eleições livres e justas", disseram os líderes francês e britânico no comunicado.

 

 

Conferência

Desde fevereiro, rebeldes tentam por fim aos mais de 40 anos de Kadafi no poder. A retaliação do líder líbio foi violenta e levou a ONU a aprovar a criação de uma zona de exclusão aérea para proteger os civis do país. Uma coalizão liderada pela Otan tem realizado bombardeios no país para impor o previsto na resolução. No domingo, a capital, Trípoli, foi atingida pelos bombardeios e, auxiliados pelo poderio aéreo da coalizão, os rebeldes vem conquistando várias cidades importantes que estavam sob o controle das forças de Khadafi.

Nesta terça-feira, representantes de vários países irão se reunir em Londres para uma conferência que vai discutir a situação da Líbia. "Em Londres, nossos países vão se unir às Nações Unidas, à União Europeia, à União Africana, à Otan e à Liga Árabe para analisar como podemos fornecer ajuda urgente e dar apoio às necessidades do povo da Líbia no futuro", disseram Sarkozy e Cameron.

A declaração conjunta também deixou claro que o objetivo da coalizão não é a ocupação militar da Líbia. "Uma solução duradoura só poderá ser a (solução) política que seja do povo líbio. Por isso o processo político que começará amanhã (terça-feira) em Londres é tão importante. A conferência de Londres vai unir a comunidade internacional no apoio ao fim da ditadura violenta na Líbia e para ajudar a criar as condições nas quais o povo da Líbia possa escolher seu futuro."

Rússia e Catar

Também nesta segunda-feira, o ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, disse que parte dos ataques aéreos da coalizão contra as forças do governo líbio vão além do objetivo de proteger civis e equivalem a uma interferência em uma guerra civil. Falando em Moscou, Lavrov disse que os ataques aéreos estão dando apoio à insurgência armada, algo que, segundo ele, não foi sancionado pela ONU. O próprio regime de Khadafi sustenta isso e diz que civis vêm sendo mortos nos ataques da coalizão.

Ainda nesta segunda-feira, o governo do Catar reconheceu o Conselho Nacional Líbio, organizado pelos rebeldes, como o representante legítimo do país. Com isso, o Catar se tornou o segundo país depois da França, e a primeira nação árabe, a dar aos rebeldes o reconhecimento oficial.

 

 

 

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